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Surto de diarreia atinge mais de 10 mil pessoas em SC em apenas duas semanas

Litoral lidera número de casos de diarreia em Santa Catarina; Chapecó, no Oeste, desponta como segunda cidade com maior número de casos da doença

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Última atualização: 2026/01/18 5:23:30

Santa Catarina registra 10.649 casos de DDA (Doença Diarreica Aguda) em 2026, conforme dados do Ministério da Saúde, atualizados até quinta-feira (15).

Segundo a SES (Secretaria de Estado da Saúde) de Santa Catarina, o maior número de casos da doença se concentra no litoral.

Alta nos casos de diarreia em SC

Temperaturas mais elevadas, maior circulação de pessoas, maior consumo de alimentos fora de casa, sob riscos relacionados à conservação e manipulação de alimentos, além de maior exposição a águas impróprias para banho favorecem o maior número de casos de diarréia no litoral, segundo a SES.

Casos de diarreia em SC ultrapassam 10,6 mil em 2026Casos de diarreia em SC ultrapassam 10,6 mil em 2026Foto: Divulgação/DDA Brasil/ND Mais

Contudo, o comportamento das DDA não se restringe ao litoral. Itajaí é a cidade com maior número de casos de diarreia, com 1.335 pessoas afetadas, seguida por Chapecó, no Oeste, com 599 casos.

A Secretaria de Saúde ressalta que os números não representam todos os casos de DDA que ocorreram no estado, mas funcionam como um termômetro para acompanhar o comportamento da doença e identificar possíveis alertas.

O que é DDA (Doença Diarreica Aguda)?

Casos de diarreia em SC ultrapassam 10,6 mil nas primeiras duas semanas de 2026Casos de diarreia em SC ultrapassam 10,6 mil nas primeiras duas semanas de 2026Foto: Divulgação/Freepik/ND Mais

As doenças diarreicas agudas (DDA), segundo o Ministério da Saúde, são infecções gastrointestinais caracterizadas por três ou mais episódios de diarreia em 24 horas, com fezes mais líquidas e aumento das evacuações. Podem vir acompanhadas de náusea, vômito, febre e dor abdominal.

Em geral, são autolimitadas e duram até 14 dias. Em alguns casos, há muco e sangue nas fezes (disenteria) e, dependendo do agente e do paciente, podem causar desidratação leve a grave.

As DDA são ausadas por bactérias, vírus e parasitas, que provocam gastroenterite, inflamação do estômago e do intestino. A transmissão ocorre principalmente pelo consumo de água e alimentos contaminados, contato com objetos ou mãos contaminadas, além do contato com outras pessoas ou animais.

A diarreia também pode ter origem não infecciosa, associada ao uso de medicamentos (como antibióticos e laxantes), adoçantes, gorduras não absorvidas, álcool ou a doenças crônicas, como doença de Crohn, colite ulcerativa, doença celíaca, síndrome do intestino irritável e intolerâncias alimentares (lactose e glúten).

Sinais e sintomas

A DDA é caracterizada pela ocorrência de três ou mais episódios de diarreia aguda em 24 horas, com fezes líquidas ou amolecidas e aumento do número de evacuações, podendo ser acompanhada de:

  • Cólicas abdominais;
  • Dor abdominal;
  • Febre;
  • Sangue ou muco nas fezes;
  • Náusea;
  • Vômitos.

Bombinha vive ‘explosão’ de 353% de casos de diarreia

Casos de diarreia em Bombinhas aumentam 353% em uma semanaBombinha vive ‘explosão’ de 353% de casos de diarreia em SCFoto: Divulgação/Turismo Bombinhas/ND Mais

Conhecida pelas águas cristalinas e por ser um dos destinos mais procurados do litoral catarinense, Bombinhas, no Litoral Norte de Santa Catarina, enfrenta um alerta sanitário em plena alta temporada.

Segundo dados da SES, o município registrou 409 casos de DDA entre os dias 29 de dezembro de 2025 e 4 de janeiro de 2026 — um aumento de 353% em relação ao mesmo período da temporada anterior, quando foram contabilizados 87 casos.

A explosão de notificações ocorre em meio a denúncias de descarte irregular de esgoto e a divulgação do relatório de balneabilidade do Instituto do Meio Ambiente (IMA), que aponta que 8 dos 17 pontos analisados em Bombinhas estão impróprios para banho. Entre os locais com restrição estão trechos das praias de Bombas, Zimbros, Morrinhos e Canto Grande (mar de fora).

A presença de coliformes fecais acima do permitido indica risco de contaminação por micro-organismos que podem causar infecções gastrointestinais, como a diarreia aguda. O IMA recomenda evitar o banho de mar nas primeiras 24 a 48 horas após chuvas intensas e nas proximidades de saídas de galerias pluviais.

Em nota, a Prefeitura de Bombinhas contestou a interpretação dos dados da SES e afirmou que o aumento expressivo nos casos de diarreia é resultado de uma reformulação no sistema de monitoramento e notificação, que antes apresentava “fragilidades e subnotificação significativa”.

Segundo a administração municipal, o novo sistema permite maior precisão e sensibilidade na detecção dos casos. Entre as medidas adotadas estão a padronização dos registros, orientação das equipes de saúde e aprimoramento dos instrumentos de coleta de dados.

“A elevação nos números não deve ser interpretada, de forma isolada, como agravamento real do cenário epidemiológico, mas sim como reflexo direto da melhoria na qualidade da vigilância”, diz o comunicado.

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