Fenômeno climático pode afetar a safra 2026/27, pressionar os preços dos alimentos e levar à recomposição dos recursos destinados ao seguro rural
WH3 com Correio do Povo e Estadão
Última atualização: 2026/07/12 11:23:18O governo federal intensificou o monitoramento dos possíveis impactos do fenômeno El Niño sobre a agropecuária brasileira e já prepara medidas para reduzir prejuízos aos produtores e minimizar reflexos na inflação dos alimentos. A principal estratégia envolve a criação de um grupo de trabalho para avaliar os efeitos do fenômeno sobre a safra 2026/27 e propor ações de mitigação, incluindo a possibilidade de reforçar o orçamento do seguro rural.
A preocupação do Executivo ocorre diante das previsões meteorológicas que apontam para um fortalecimento do El Niño nos próximos meses. A expectativa é de que o fenômeno atinja intensidade forte entre julho e setembro, aumentando o risco de ondas de calor, estiagens e chuvas intensas em diversas regiões do país, fatores que podem comprometer a produtividade agrícola.
Na última semana, o Ministério da Agricultura instituiu oficialmente um grupo de trabalho que reunirá especialistas para mapear as vulnerabilidades da produção agropecuária brasileira. A equipe contará com a participação do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
Entre as atribuições estão avaliar os impactos regionais sobre culturas como soja, milho, trigo, feijão, café, cana-de-açúcar e mandioca, além de elaborar um plano de adaptação e mitigação para reduzir os efeitos do fenômeno.
Seguro rural pode receber novos recursos
Uma das prioridades do grupo será analisar a necessidade de fortalecer instrumentos de gestão de riscos, especialmente o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).
O orçamento destinado ao seguro rural sofreu um contingenciamento superior a 53% neste ano, reduzindo os recursos para R$ 473,8 milhões. Diante da perspectiva de uma safra mais vulnerável aos eventos climáticos, técnicos do governo avaliam a possibilidade de recompor parte desse orçamento.
Segundo o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Guilherme Campos, o objetivo é garantir maior segurança aos produtores em um cenário marcado por incertezas climáticas, endividamento no campo e preços mais baixos das commodities agrícolas.
Preocupação também é com a inflação
Além dos impactos sobre a produção, o governo acompanha os possíveis reflexos do El Niño sobre os preços dos alimentos.
A equipe econômica considera que uma eventual quebra de safra, somada ao aumento dos custos de produção — impulsionado pela alta dos fertilizantes em decorrência dos conflitos no Oriente Médio —, pode elevar a inflação nos próximos meses.
O Ministério da Fazenda já incorporou esse cenário às projeções macroeconômicas e revisou a estimativa de inflação para 2027, de 3% para 3,5%.
Agricultura familiar também será monitorada
O Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) também participa das ações de preparação para o fenômeno.
Entre as medidas em estudo estão a criação de brigadas de combate a incêndios em assentamentos da reforma agrária, especialmente na Região Norte, além da ampliação da formação de estoques públicos de alimentos para reduzir oscilações de preços em períodos de instabilidade climática.
Outro programa acompanhado pelo governo é o Proagro, voltado aos pequenos produtores rurais. Apesar de o orçamento previsto para 2026 ser considerado suficiente até o momento, técnicos afirmam que a situação continuará sendo monitorada diante da possibilidade de agravamento dos efeitos do El Niño.
O governo destaca que o objetivo é antecipar medidas capazes de reduzir prejuízos ao setor agropecuário, preservar a produção de alimentos e minimizar impactos econômicos caso o fenômeno climático confirme as previsões de forte intensidade nos próximos meses.
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