Enfermeira da Secretaria Municipal de Saúde explica funcionamento, critérios de indicação, benefícios, contraindicações e processo de inserção do dispositivo
Argeu Padilha / TVGC
Última atualização: 2026/08/05 9:11:29A Secretaria Municipal de Saúde de Belmonte está oferecendo o Implanon, método contraceptivo de longa duração que passou a integrar os serviços do Sistema Único de Saúde (SUS). O dispositivo é implantado sob a pele do braço e tem duração de até três anos, com expectativa de ampliação desse período para cinco anos, conforme atualização prevista pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Em entrevista à TVGC, a enfermeira Tainá Bervig explicou que o Implanon já era utilizado na rede privada e atualmente é considerado o método contraceptivo com menor índice de falhas entre os disponíveis.
“O Implanon é considerado atualmente o método contraceptivo mais eficaz, com a menor taxa de falhas. Inclusive, ele é mais eficaz que a laqueadura e que a vasectomia. Nenhum método é 100% eficaz, mas ele é o método com a menor taxa de falhas”, afirmou.
Segundo a profissional, o dispositivo atua de três formas para evitar a gravidez: impede a ovulação, altera o ambiente do útero, dificultando a implantação da gestação, e modifica o muco cervical, dificultando a passagem dos espermatozoides.
Inserção é rápida
O Implanon é colocado no braço não dominante da paciente, em um procedimento realizado com anestesia local. A inserção leva cerca de dez minutos, enquanto a consulta de enfermagem é destinada à avaliação clínica, orientação sobre o método e esclarecimento de dúvidas.
“A inserção em si são dez minutos. O que demora é a consulta de enfermagem, onde a gente explica todo o procedimento e esclarece todas as dúvidas da paciente”, explicou Tainá.
Após a colocação, é recomendado que a paciente faça a palpação mensal do dispositivo e observe possíveis sinais de alerta, como dor intensa, febre, sangramento excessivo ou aumento importante do inchaço no local.
Indicação e benefícios
Além da função contraceptiva, o Implanon pode contribuir para a redução do fluxo menstrual, aliviar sintomas da tensão pré-menstrual, cólicas, cefaleias relacionadas ao ciclo menstrual e sintomas do climatério. O método também pode ser utilizado durante a amamentação.
“A principal função dele é a contracepção, pela forma segura de agir, mas ele também auxilia na diminuição dos sintomas pré-menstruais, do fluxo menstrual e pode beneficiar mulheres no climatério”, destacou a enfermeira.
A profissional ressaltou que a escolha do contraceptivo é individualizada e depende da avaliação realizada durante a consulta. Segundo ela, nem todas as pacientes terão indicação para o Implanon como primeira opção.
Em Belmonte, já foram realizadas 11 inserções do dispositivo.
Critérios de avaliação
Antes da implantação, é realizada uma consulta de enfermagem para verificar se a paciente atende aos critérios de elegibilidade. O único exame obrigatório é o teste para descartar uma gestação no dia da inserção.
As principais contraindicações relativas envolvem pacientes com histórico de trombose ou hipertensão arterial descompensada, situações que exigem avaliação individual do risco e benefício.
Também são investigadas possíveis alergias ao anestésico, ao material utilizado no procedimento e ao látex.
“A consulta é para entender o que a paciente procura e avaliar se esse realmente é o melhor método para ela. Cada organismo é diferente e a escolha precisa ser individualizada”, explicou.
Método pode ser retirado a qualquer momento
De acordo com a enfermeira, o Implanon é um método reversível. Caso a paciente deseje engravidar antes do término da validade do dispositivo, ele pode ser retirado a qualquer momento, com retorno da fertilidade já no ciclo menstrual seguinte.
“Se a paciente decidir engravidar, a retirada pode ser feita a qualquer momento. No próximo ciclo menstrual ela já retorna à fertilidade”, informou.
Embora seja recomendado um período de adaptação de aproximadamente seis meses, não há tempo mínimo de permanência para a retirada.
Mitos e orientações
Durante a entrevista, Tainá Bervig esclareceu dúvidas frequentes sobre o método. Ela informou que o Implanon não causa infertilidade, pode ser utilizado por adolescentes a partir dos 14 anos, não exige pausas durante o uso e pode ser utilizado por mulheres que estão amamentando.
“O Implanon protege contra a gestação, mas não protege contra as infecções sexualmente transmissíveis. Para isso, é indispensável o uso do preservativo”, reforçou.
Segundo a Secretaria de Saúde, mulheres interessadas no método devem procurar a unidade de saúde para realizar a consulta de enfermagem, onde serão avaliadas as condições clínicas, os critérios de indicação e a opção contraceptiva mais adequada para cada caso.
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