Mistura de tráfego pesado com trânsito local na Grande Florianópolis e Litoral Norte faz número de colisões dispararFoto: Divulgação/ViaCosteira/ND MaisDados divulgados pela PRF (Polícia Rodoviária Federal) apontam que a BR-101 registrou 2.063 acidentes apenas no primeiro semestre de 2026 (entre janeiro e junho) em Santa Catarina. O volume representa 48,9% de todas as ocorrências contabilizadas nas rodovias federais que cortam o estado, resultando em uma média de 11,4 casos por dia.
Durante o período, a rodovia somou 2.234 pessoas feridas e 66 mortes, um aumento de 8,2% no número de óbitos em comparação com o mesmo período de 2025.
De acordo com levantamento realizada pelo ND Mais, a tendência de alta se mantém nos meses seguintes: julho registrou ao menos 18 acidentes na rodovia, enquanto agosto caminha para fechar com mais de 25 ocorrências.
Ocorrências mobilizam, muitas vezes, agentes do Corpo de Bombeiros Militar de SCFoto: Divulgação/CBMSC/ND Mais
Trechos mais críticos da rodovia se concentram no estado
- Km 200 ao 210 (São José): Considerado o trecho rodoviário mais perigoso do Brasil, acumulando mais de 500 acidentes anuais.
- Km 210 ao 220 (São José a Palhoça): Ocupa a segunda posição no ranking nacional de criticidade, sendo a continuação direta do fluxo congestionado metropolitano.
- Km 190 ao 200 (Biguaçu a São José): Completa o cinturão de maior retenção da Grande Florianópolis.
- Km 220 ao 230 (Palhoça): Mantém a sequência de alto risco na região metropolitana.
- Km 150 ao 160 (Itapema): Ponto de forte retenção e apelo turístico no Litoral Norte.
Outro ponto de atenção severa no Litoral Norte é o trecho entre o Km 130 e 140 (Balneário Camboriú), figurando historicamente entre os dez mais perigosos do país devido ao tráfego denso.
No km 201, em São José, acontecem praticamente dois acidentes por diaFoto: Alan Pedro/ ND MaisPor que a BR-101 registra tantos acidentes?
A combinação de urbanização acelerada, gargalos estruturais e falhas comportamentais explica os altos índices da rodovia:
- “Efeito Avenida”: A rodovia corta perímetros urbanos densamente povoados. O tráfego de longa distância (grandes carretas e caminhões) divide o mesmo espaço saturado com o trânsito local de motocicletas, pedestres e veículos de aplicativo.
- Engarrafamentos e colisões traseiras: A saturação gera paradas repentinas diárias. A falta de distância de segurança provoca o “efeito sanfona”, resultando em colisões traseiras em massa.
- Geometria viária desafiadora: A presença de curvas sinuosas, aclives leves e visibilidade limitada surpreende motoristas que trafegam em velocidade e encontram filas repentinas à frente.
- Vulnerabilidade das motos: A forte presença de motocicletas no trânsito urbano marginal eleva os riscos de lesões graves e fatalidades nos corredores da via.
- Imprudência ao volante: A PRF aponta o excesso de velocidade quando a pista limpa, as trocas repentinas de faixa sem sinalização e o uso do celular ao volante como as principais causas humanas dos acidentes graves.



















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