Jair Marques de Bairros, de 54 anos, enfrenta problemas cardíacos desde os 33 anos e está em Blumenau para realizar exames que podem definir sua inclusão na fila para transplante
Argeu Padilha / TVGC
Última atualização: 2026/09/08 8:50:33A família de Jair Marques de Bairros, de 54 anos, está mobilizada para arrecadar recursos destinados às despesas relacionadas ao tratamento cardíaco. Morador de São Miguel do Oeste, Jair enfrenta problemas no coração desde os 33 anos, quando sofreu um infarto. Atualmente, ele está em Blumenau, onde realiza exames e avaliações para verificar se está apto a passar por um transplante cardíaco.
Segundo Jair, após o primeiro infarto, ele passou por procedimentos médicos e permaneceu durante anos com a condição controlada. A partir dos 46 anos, porém, os problemas voltaram a se manifestar com maior frequência.
“Comecei a sentir muito cansaço, falta de ar. Daí começou a ser hospital, vai e volta”, relatou.
Nos últimos anos, Jair passou por diferentes tratamentos e internações. Entre os procedimentos realizados estão cateterismo, implante de marcapasso e tratamento para alterações cardíacas. De acordo com ele, atualmente o coração depende de medicações e do dispositivo para manter o funcionamento adequado.
“Só um transplante, porque o que podia ser feito já foi”, afirmou.
Avaliação para transplante
Jair ainda não está oficialmente na fila para receber um novo coração. A etapa atual é de avaliação médica. Ele passou por uma série de exames em São Miguel do Oeste e foi encaminhado para Blumenau, onde os resultados serão analisados pela equipe especializada.
Um dos exames, segundo Jair, pode levar cerca de 30 dias para apresentar o resultado. O procedimento avalia a pressão pulmonar e sua relação com o funcionamento do coração.
“Tem um exame que leva trinta dias para ficar pronto, que seria o mais importante, para ver a pressão do pulmão contra o coração”, explicou.
A inclusão na fila dependerá dos resultados dos exames e da avaliação da equipe médica. Conforme a família, o médico responsável em Blumenau considerou que Jair apresenta condições para continuar o processo de avaliação.
A filha, Alana Clara Marques de Bairros, explica que ainda não existe previsão para o transplante.
“Pode demorar dois meses, dois anos, um ano. Depende muito do resultado do exame e da fila”, disse.
Família chegou a ser chamada para se despedir
A situação de Jair se agravou nos últimos dias. Durante uma das internações, ele permaneceu na UTI recebendo medicação para auxiliar o coração.
De acordo com Alana, em determinado momento os médicos chamaram os familiares para conversar sobre a gravidade do quadro.
“Teve um dia que a gente foi chamado para se despedir do pai. Os médicos falaram que o caso dele não tinha mais o que fazer e que talvez precisaria entubar. Se chegasse a ser entubado, ele não voltaria, porque o coração não iria aguentar”, contou.
A família também relata que Jair já permaneceu por períodos prolongados em UTI. Em uma das ocasiões, foram 42 dias de internação.
Durante a última internação, segundo Alana, houve momentos em que Jair apresentava confusão e dificuldade para reconhecer familiares.
“Teve dias que o coração estava fraco, que não oxigenava o cérebro. Ele não conseguia lembrar de quem a gente era, ele delirava”, relatou.
Após a estabilização do quadro, Jair conseguiu ser transferido para Blumenau para dar continuidade à avaliação.
Filhos se revezam no acompanhamento
Jair tem seis filhos, três homens e três mulheres. Segundo a família, eles estão se revezando para acompanhá-lo durante o tratamento.
A filha Amanda Marques, que reside em Portugal, retornou ao Brasil após a família receber informações sobre o agravamento do estado de saúde do pai.
“Eu larguei tudo lá e vim para casa dele. Vou ficar até ele melhorar”, contou.
O filho Jhonatan também acompanhou Jair durante a transferência e os primeiros dias em Blumenau.
A família explica que o acompanhamento representa despesas adicionais, principalmente com alimentação e deslocamento. Segundo Alana, Jhonatan permaneceu cinco dias em Blumenau e gastou cerca de R$ 600 apenas com alimentação e passagem.
“O hospital não fornece alimentação para os acompanhantes. São três refeições e o transporte também não é fornecido”, explicou.
Caso Jair seja aprovado para o transplante, a família prevê novos custos. Conforme os familiares, ele deverá permanecer em Blumenau durante o período de recuperação, estimado entre seis meses e um ano, seguindo as orientações médicas e o protocolo do tratamento.
Durante esse período, um familiar também deverá permanecer com ele.
“Vai ter que morar lá. Ele não pode retornar. Vai ter que ter alguém com ele também, algum filho, alguém. Ele não vai poder ficar sozinho”, explicou Alana.
Aposentadoria é a única renda
Antes do agravamento da doença, Jair trabalhava como chapeador. Atualmente, está aposentado e utiliza a renda da aposentadoria para as despesas pessoais.
Ele afirma que recebe parte dos medicamentos pelo sistema público, mas precisa comprar alguns dos remédios utilizados no tratamento.
“Eu ganho quatro do governo e dois eu tenho que comprar”, explicou.
Além dos medicamentos, a família precisa arcar com alimentação, transporte e outros custos relacionados ao acompanhamento em Blumenau.
A situação também preocupa os familiares diante das despesas que poderão surgir durante o período de recuperação após o transplante.
Família criou campanha
Diante da necessidade de acompanhamento contínuo e dos custos previstos para o tratamento, os filhos criaram uma campanha de arrecadação.
A família disponibilizou uma vaquinha online e também um Pix para quem quiser contribuir diretamente. A plataforma da vaquinha possui valor mínimo de doação de R$ 25, segundo Alana. Por isso, o Pix foi disponibilizado para quem deseja contribuir com valores menores.
A chave Pix é 48 99908-5876, em nome de Alana Clara Marques de Bairros.
A família também pede que a campanha seja compartilhada nas redes sociais por quem não puder contribuir financeiramente.
“Quem puder ajudar, nos abrace. Pode ser com R$ 5, R$ 10, qualquer valor vai ser bem-vindo”, afirmou Jhonatan.
Para Jair, o momento é de continuidade do tratamento e expectativa pelos próximos resultados.
“Hoje eu me sinto bem. Mas tenho ciência de que o problema é grave. Todo cuidado é pouco”, afirmou.
A família acompanha o processo e aguarda os resultados dos exames que poderão determinar os próximos passos para o tratamento e a possibilidade de inclusão de Jair no processo para transplante cardíaco.
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