IVÂNIA FÁTIMA CADORE
Última atualização: 2026/09/09 10:21:501- Conte a sua experiência de vida?
R: Olá, primeiramente gostaria de agradecer o espaço e oportunidade de estar participando do seu quadro.
Tenho 37 anos, tenho AME tipo III, uma doença rara, degenerativa e progressiva, que com o passar do tempo vai progredindo, quando eu tinha uns 2 anos, minha mãe percebeu que eu tinha dificuldade de erguer a perna, de me locomover e, também eu caía muito, na época nenhum médico aqui em SMO conseguiu descobrir ou fechar o diagnóstico, foi quando meu padrinho irmão do meu saudoso papai, chamou ele pra trabalhar no interior de SP, em São Carlos, e pouco tempo depois nos mudamos pra lá, e em 6 meses, foi fechado o diagnóstico na USP .
2- Como foi seu processo de adaptação? O que foi difícil e o que foi ficando fácil?
R: Eu andei até os 11 anos e alguns meses, mas lembro até hoje de uma conversa com um ex professor da UFSCar, Prof.Dr Carlos Castro(Carlão), que tenho um respeito e amor e principalmente gratidão por tudo o que ele fez por mim, que considero ele como um pai, e a nossa conversa foi muito franca e aberta, e me explicou tudo, então eu já sabia que meu futuro era ser cadeirante, e com muito apoio e carinho de todos, e com isso pra uma criança de 10 anos foi ficando cada vez mais “aceitável” e com isso fui me adaptando a “,nova vida”
3- Alguma conquista recente da qual o senhor se orgulha?
R: Eu depois de quase 4 anos consegui entrar na diretoria da Adefismo (Associação dos Deficientes Físicos de SMO) e também retornei para o “projeto Cadeirante Andante” e isso me deixou muito alegre, pois lutar pelos direitos das pessoas com deficiência é muito bom, pois sei como é difícil você tentar alguma melhoria diante do “sistema”(seja municipal estadual ou federal ).
4- Na sua opinião o que deve ter acessibilidade em São Miguel Do Oeste?
R: TUDO, desde que seja possível, doa a quem doer, minha luta vai ser sempre por nossos direitos serem garantidos de verdade e não apenas de fachada.
5- Quais são as dificuldades que ainda enfrenta no dia a dia?
R: No Dia a dia, a falta de acesso a muitos lugares, desde espaços públicos, como em espaços privados, mas reconheço que infelizmente a geografia da nossa cidade não coopera para termos calçadas 100% acessíveis, e também alguns comércios com construções antigas.
6- O senhor acha que a sociedade está mais consciente sobre inclusão comparando uns tempos atrás?
R: Sim, mesmo que a passos de lesma , porém o importante é a conscientização e com o passar do tempo, todos conseguem entender as “diferenças”.
7- Que conselho o senhor dará para quem não vive com pessoas que são deficientes?
R: Todos tem alguém com alguma deficiência em casa, pois a baixa mobilidade em idosos querendo ou não já se encaixa como uma deficiência, mas, se não ter no convívio, acho que a pessoa não precisa ter medo ou receio de quando ver um PCD, somos pessoas normais, porém com algumas limitações, e hoje qualquer pessoa pode ter uma deficiência temporária, quebrando uma perna braço etc.
8- Algum sonho ou objetivo que o senhor deseja realizar?
R: Um mundo mais acessível, mas de verdade, e não só no faz de conta.
9- Uma frase:
R: Não devemos nos tornar vítimas das nossas limitações, devemos mostrar que podemos fazer muitas coisas, e sermos felizes.

Agradeço a atenção!
Carinhosamente, Ivânia Fátima Cadore.
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