Sessão que durou mais de 25 horas é considerada uma das mais longas da região; crime ocorreu em Lacerdópolis.
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Última atualização: 2025/08/30 11:33:50Cadáver no freezer: confira os detalhes da condenação da assassina cruel em SC – Foto: Luan Turcati/NDTV Record/ND
Cláudia Tavares Hoeckler, acusada de matar o próprio marido e esconder o corpo em um freezer, foi condenada a 20 anos e 24 dias de prisão em regime fechado, nesta sexta-feira (29). A ré foi condenada pelos crimes de homicídio qualificado, ocultação de cadáver e falsidade ideológica.
A sessão, comandada pelo Tribunal do Júri da Comarca de Capinzal, no Meio-Oeste catarinense, teve início na última quinta-feira (28), às 9h, e se estendeu até as 22h30, quando foi suspensa após Cláudia passar mal durante o interrogatório.
O julgamento foi retomado às 8h30 de sexta-feira, e a sentença foi lida pela juíza Jéssica Evelyn Campos Figueredo Neves por volta das 20h45, totalizando mais de 25 horas de júri — considerado um dos mais longos da história da região.
Desde o início da manhã, nos dois dias, dezenas de pessoas aguardaram na fila em frente à Câmara de Vereadores, local onde o julgamento foi realizado. Familiares da acusada e da vítima, assim como moradores da comunidade, permaneceram na área durante todo o júri e acompanharam atentamente os trabalhos.
Imagem dentro do júri, da mulher que assassinou o marido para fazer referência ao fato de que ela foi condenada a mais de 20 anos de prisão
Devido à grande movimentação, equipes de segurança foram reforçadas para atuar no entorno da Câmara e no interior do plenário, garantindo a tranquilidade dos presentes e a continuidade do julgamento.
Cadáver no freezer: mulher mata marido asfixiado com sacola
O caso, ocorrido em novembro de 2022 na cidade de Lacerdópolis, ganhou repercussão nacional pela gravidade do crime e pela forma como o corpo foi ocultado.
Segundo a decisão, o Tribunal do Júri reconheceu que Cláudia matou o marido, Valdemir Hoffer, por meio de asfixia, de forma cruel e sem dar chance de defesa à vítima, o que resultou em 17 anos e 6 meses de prisão pelo homicídio.
Além disso, os jurados confirmaram que a ré escondeu o corpo em um freezer na própria residência, que continuou sendo usado normalmente durante as buscas pelo desaparecido. Por esse crime de ocultação de cadáver, a pena foi de 1 ano, 4 meses e 24 dias de prisão, além de multa.
Cláudia também foi considerada culpada por falsidade ideológica, já que prestou informações falsas durante o caso. A pena neste ponto foi de 1 ano e 2 meses de prisão, somada a multa.
No total, a sentença chegou a 20 anos e 24 dias de prisão em regime fechado, além do pagamento de 25 dias-multa, e o juiz determinou a imediata execução da pena, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre condenações pelo júri.
12 testemunhas foram convocadas a depor
Ao todo, 12 testemunhas foram convocadas ao caso, sendo que duas não compareceram. O interrogatório de Cláudia começou no primeiro dia de julgamento, mas, após passar mal e ser atendida pelos bombeiros, ela retornou ao plenário para a conclusão do júri na manhã de sexta-feira.
Os debates entre acusação e defesa, que tiveram início durante a tarde, duraram cerca de uma hora e meia cada. O Ministério Público levou o freezer usado para ocultar o cadáver ao centro do salão, em frente à banca do júri.
Relembre o caso ocorrido em 2022
Conforme a investigação, Cláudia teria matado o próprio marido após induzi-lo ao sono com o medicamento zolpidem. Em seguida, teria amarrado pés, pernas e braços com cordas e asfixiado a vítima com uma sacola, impossibilitando qualquer reação. Depois, colocou o corpo em um freezer na residência do casal.
No dia seguinte ao crime, a ré registrou um boletim de ocorrência comunicando falsamente o desaparecimento do marido, mobilizando vizinhos, amigos e forças de segurança em buscas que se prolongaram por cerca de cinco dias, até a localização do corpo.
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