Home De frente com Ivânia, Marinês Da Silva!

De frente com Ivânia, Marinês Da Silva!

IVÂNIA FÁTIMA CADORE

Última atualização: 2026/09/28 7:49:48

1- Nos conta um pouco de sua trajetória de vida?

R: Eu e meu namorado compramos uma kombi e estávamos montando aos poucos um motorhome, já havíamos viajado algumas vezes com ela e achávamos muito legal pois dormíamos nela, cozinhava, no final do ano de 2025 decidimos passar a virada do ano em Florianópolis, era um bate e volta, só passar a virada do ano e voltar mesmo, no dia primeiro de janeiro desse ano, quando na volta logo na saída de Florianópolis a poucos quilômetros do lugar onde estávamos, no km 34 da BR 282 um carro em alta velocidade nos atingiu em uma curva, colidimos frontalmente e o lado mais atingido foi o meu, fiquei encarcerada até a chegada do resgate, não lembro muita coisa, vi o socorrista do samu que ficou conversando comigo e após isso lembro a partir do dia 26 de janeiro que foi o dia que saí da UTI, fiquei uns 18 dias em coma, quando fui para o quarto me dei conta que havia sofrido a amputação do meu pé esquerdo, quebrei o braço, tive pneumotórax, e a perna direita que foi a que ficou estava quebrada em vários pontos inclusive o pé, peguei uma bactéria multiresistente e tive necrose da perna que já estava amputada tendo então que subir para acima do joelho para controlar a infecção, passei por inúmeras cirurgias ate 06 de março que finalmente após 2 meses de hospital ganhei alta médica.

2- Quando a prótese entrou na sua vida?

R: Ao voltar para casa comecei intensas seções de fisioterapia, no início não tinha forças sequer para me manter sentada, fui evoluindo com passos bem lentos, ate que em  junho com 31 anos finalmente protetizei, foi um choque de realidade muito grande, no primeiro mês toda vez que ia colocar a prótese chorava, era incômodo, dor e apertava o coto, depois de muito relutar fui aceitando!

3- Qual foi a fase mais difícil da adaptação? E o que e quem te ajudou a virar a chave?

R: Nunca tive vergonha de chamar outros amputados e tirar dúvidas isso me ajudou muito, muita gente me deu forças e ate hoje me ajudam, meu marido quando voltei do hospital ainda não estava 100% bem pois sofreu uma fratura no joelho e ainda estava com muletas mesmo assim me ajudou como pode, minha família vinha aqui na minha casa sempre que podiam e ajudavam nas tarefas de casa, minha mãe ficou os 2 meses de internação no hospital comigo.

4- Como é andar com prótese em calçadas, ônibus, etc? Já deixou de ir em algum lugar por falta de acessibilidade e adaptação?

R: Hoje ainda estou em fase de adaptação, sempre que saio de casa meu marido está comigo, como até hoje mantenho uma rotina de fisioterapia já consigo andar nas ruas com muita dificuldade. Quando  usa uma prótese até pequenas pedrinhas percebemos, qualquer terreno irregular vira uma batalha, sinto muita dificuldade com equilíbrio, caí 2 vezes, mas mesmo assim continuo me desafiando todos os dias! Não, coloquei na minha cabeça que iria viver uma vida normal, ainda não cheguei lá, na verdade estou um pouco longe do objetivo mas já fui para a praia, para eventos, saio as vezes com muita dificuldade mas vou mesmo assim!

5- Qual o seu próximo objetivo que ainda quer realizar?

R: Sem dúvidas caminhar sem precisar das muletas e sem medo de cair!

6- Já sofreu algum preconceito  ou provar que é capaz?

R: Já sim infelizmente, uma vez em um restaurante lotado um senhor colocou a cabeça embaixo da mesa apenas para matar a curiosidade de ver como havia ficado minhas pernas, outra vez uma senhora me falou “que bom que sobreviveu mesmo que tenha ficado assim desse jeito” seguido de uma gargalhada!!

7-Quanto custa uma prótese  e como foi conseguir? Sabemos que tem também pelo sus?

R: Tinha seguro então foi totalmente custeada pelo seguro, não tivemos muito acesso aos valores exatos mas ficou na casa dos 150 mil reais!

8- Hoje o que significa para ti usar perna mecânica? Limite ou ferramenta ou parte de você?

R: Uma ferramenta que me ajuda a ter uma vida mais acessível!

9- Qual a mensagem que você deixa para quem teve uma região amputada e está vendo essa matéria?

R: Não se esconda, mostre a sua deficiência, muitos limites estão na nossa cabeça, saia, se divirta, lute para que sejamos aceitos, nesse mundo existem pessoas maldosas mas também existem pessoas maravilhosas que conhecemos saindo do nosso quarto, somos capazes de viver coisas extraordinárias, nem sempre é fácil mas ninguém nunca falou que seria e as vezes é isso que nos torna únicos, essa vontade de continuar vivendo mesmo após o maior trauma de nossas vidas! ♡

Essa luta é nossa! ♡

Agradeço a atenção!

Carinhosamente, Ivânia Fátima Cadore.

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