IVÂNIA FÁTIMA CADORE
Última atualização: 2026/07/15 7:38:301- Comente sobre o senhor?
R: Sou o Moisés Model Becker, mais conhecido como Cadeirante Andante, tenho 40 anos, casado, nasci com uma má formação na medula chamada espinha bífida ou mielomeningocele. Até os 27 anos eu usava muletas e depois fiz a transição para cadeira de rodas. Hoje tenho um trabalho como influenciador buscando mostrar a vida da pessoa com deficiência de maneira descontraída, divertida, quebrando preconceitos e tabus. Faço também divulgações de empresas da cidade.
2- Quando o senhor descobriu que tinha má formação na coluna e medula chamada mielomeningo ele ou espinha bífida?
R: Não me recordo de uma idade específica que tenha falado sobre a deficiência. De acordo com meu desenvolvimento fui aprendendo e entendendo as minhas limitações e buscando me adaptar para fazer as atividades do meu jeito.
3- Como foi lidar diagnóstico, tratamentos?
R: Eu sempre brinco que eu “vivo na quinta-série”, pois pra mim sempre foi muito tranquilo lidar com o diagnóstico e tratamentos. Sempre levei no bom humor e raras às vezes que tive medo ou insegurança em relação a algo da deficiência e essas poucas vezes o medo foi maior por envolver pessoas que amo do que por mim mesmo.
4- Quais preconceitos ou dificuldades que vivenciou?
R: Honestamente não me recordo de ter sentido preconceito de forma tão significativa e penso que isso está muito mais relacionado ao meu posicionamento como PCD do que da sociedade em si. Depois que me casei ouvi alguns comentários como se a esposa tivesse entrado na minha vida para me ajudar mas enfrento isso de forma tranquila porque entendo que a pessoa pensa dessa forma porque não conhece minha vida e rotina de forma mais próxima para entender minha independência e capacidade.
5- Como enfrentou sua rotina de vida e adaptações?
R: Como é uma deficiência congênita enfrentei e adaptei de forma natural pois da mesma forma que uma pessoa sem deficiência aprende a fazer sua rotina eu também tive que aprender, porém de um jeito adaptado para minha realidade.
6- Houve algum momento mudou sua forma de enxergar a vida?
R: Eu fui criado com bastante proteção e de certa forma minha família tinha o entendimento de que minha limitação era maior do realmente até onde eu poderia chegar e descobri que meu limite era muito mais longe do que me ensinaram com que realmente é, quando eu resolvi ir em busca de entender certeza foi um divisor de águas para eu ser quem eu sou hoje.
7- Quais são os maiores desafios de acessibilidade que o senhor encontra?
R: O maior desafio que encontro em relação a acessibilidade é estrutural pois vivemos num país que não foi pensado e projetado para dar condições para todos, isso vem mudando com o tempo mas ainda tem que mudar muito o pensamento da sociedade em relação às necessidades de acessibilidade no geral.
8- O que ainda precisa melhorar na inclusão? Poderiam fazer para tornar os espaços mais inclusivos?
R: Acredito que o que mais precisa mudar em relação a inclusão é a mentalidade da sociedade. Precisamos entender que aquele tempo que uma pessoa com deficiência ficava reclusa da sociedade graças a Deus ficou para trás e hoje estamos em busca de nosso espaço e o mundo deve se adequar a isso.
9- Que mensagem o senhor deixa para outras pessoas com espinha bífida e para todas as pessoas?
R: Acredito que a mensagem que gostaria de deixar é primeiro para a pessoa com deficiência, antes de dizer que não consegue tente de todas as formas possíveis e você será surpreendido positivamente. Para sociedade digo que antes de determinar nossas limitações e capacidades tenha certeza que elas são reais, pois cada PCD tem suas virtudes e capacidades individuais.
Agradeço a atenção!
Carinhosamente, Ivânia Fátima Cadore
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