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Especial dia dos Namorados

A reportagem do Jornal Gazeta foi até Guaraciaba nesta semana para contar a história do casal Oresti Alpini, 87 anos, e Olga Brustolin Alpini, 82 anos, que completaram 60 anos de casados no mês de maio. Também conversamos com os jovens Gabriel Saggioratto, sua namorada Bruna Fiorini e Taline Dorigon e seu namorado Lucas J. Klein. Tudo isso para mostrar a você leitor/a as diferenças e as semelhanças nos relacionamentos constituídos há 60 anos até os mais recentes. Além disso, pretendemos mostrar que nesse dia dos namorados o que vale mesmo é ter com quem contar, compartilhar a vida e os sonhos. Por isso, a gente convida você para essa leitura cheia de amor, risos e sinceridade

Última atualização: 2017/06/09 10:38:58

Como era… E como éOresti e Olga, em seus plenos 60 anos de namoro/casamento Foto: Claudia weinmanClaudia WeinmanOresti Alpini e Olga Brustolin conheceram-se na linha Caravaggio, em Guaraciaba, no entanto, os dois vieram de municípios diferentes do Rio Grande do Sul, como grande parte das famílias que estabeleceram nova vida na região que antes era habitada por outros povos (caboclos, indígenas, negros/as). Ao chegar no quintal da casa de Oresti e Olga, a reportagem foi recebida pelo casal em um dia de bastante frio e chuva. Os dois sentaram-se no sofá e pararam alguns minutos para refletir sobre o que viveram nesses 60 anos de casados. Foram seis filhos, três homens e três mulheres que formaram a família. Quase todos de parto normal em casa, já que naquela época, o acesso a hospitais não fazia-se tão comum como hoje. Oresti, com uma gaita nos braços animava as comunidades que aos poucos se formavam, dentro do que antes era mato e longas “picadas”, estradas que foram abertas a “facão”. Em tom de lembrança, as risadas aos poucos foram dando sentido a entrevista. “Foi um passeio naquele dia e depois foi indo”, contou Olga, ainda de forma tímida, sobre o primeiro dia em que ela e Oresti se conheceram na comunidade do Caravaggio, lugar que historicamente reúne a vizinhança para as festas. Quando você leitor/a lê as primeiras linhas dessa matéria e se depara com a narrativa dessa história constituída por Olga e Oresti, pouco pode imaginar sobre como foi que esse casal conseguiu chegar aos 60 anos de casados, em uma época onde os namorados e namoradas não podiam se quer ‘pegar na mão’ um do outro para namorar, no máximo, sentar perto, sob a supervisão de um irmão mais velho da casa da Dona Olga. “Tinha que andar reto, não podia pegar na mão, era muito respeito”, contou Olga sobre o namoro de 60 anos atrás. “Não é que nem agora, leva para casa e vai dormir junto. Para mim aconteceu assim, tudo bem, os outros que se virem como querem agora”, complementou. Em quatro anos de namoro, Olga visitou a casa de Oresti apenas uma vez. “Era sempre embaixo do freio do pai. Aquele era um dia bonito, daí fizeram ele bater feijão, e ele não veio pra casa comigo então eu fui para minha casa com minha companheira”, contou Olga sobre o dia que foi até a casa de Oresti. Ela lembrou que na época era necessário ir acompanhada de alguém para visitar o namorado, jamais sozinha. Nas festas e bailes da comunidade não era diferente, além de ir acompanhada, Olga conta que ao chegar à meia noite logo a chamavam para voltar para casa. “Meu irmão dizia: ‘é meia noite, vamos pra casa’, tinha que ir”. Oresti também recorda disso. “Quando começava o baile ela tinha que ir para casa. Eu ficava animando o baile porque tocava gaita”, recordou. Oresti tocou o primeiro baile que aconteceu em São José do Cedro, também o de Barra Bonita e o do município de Anchieta. “Inauguravam as casas novas, fazia baile, os vizinhos iam dançar. Era eu e a gaita que animava as festas”, lembra. O casamentoQuando decidiram casar, Olga conta que foi conversar com a mãe e com o irmão mais velho da família. “Vamos casar! Falei com a mãe, com o irmão, eu pedi pra ele e ele disse: ‘casa quando quiser’, então, resolvemos tudo e casamos”, recorda. Oresti e Olga casaram em São Miguel do Oeste, no cartório e depois na antiga Igreja Matriz. Com risos, eles contam como a locomoção foi providenciada para trazer os convidados para São Miguel do Oeste. “Não era com o carro da moda, como hoje, era com caminhão Ford 46, os convidados iam em cima do caminhão. Naquele tempo era o dobro do caminho que tem hoje, tinha só umas “picadas” e o caminho era mais longe”, disse Oresti. Mas, antes de ir para igreja, fazia-se um café da manhã para todos. Depois de casarem no cartório e Igreja, a festa continuava até o entardecer. “A festa do casamento era na casa da sogra, gostavam muito de doce…bolo…bolo…Passamos o dia todo assim”, recorda Olga. Sobre as novas relações e formas dos casais relacionarem e festejarem sua união, de diferentes maneiras, Oresti diz que é necessário acompanhar a evolução da sociedade. “Agora ficamos velhos, mas penso que a gente vai evoluindo conforme a evolução do sistema de vida, do ser humano”. Olga também concorda e diz que sempre manteve amizade com os filhos e entre o casal, o que de acordo com ela, fez com que os dois completassem 60 anos e casados. “Amizade com todo mundo, com os filhos. Sempre gostei de ficar junto com ele (Oresti), adorava ter os filhos perto”, finalizou. 
“Falam que namorar é chato, mas no fundo todo mundo está procurando alguém”
Claudia WeinmanBruna Fiorini com o namorado Gabriel Henrique Saggioratto Foto: Arquivo PessoalBruna e Gabriel moram em São Miguel do Oeste e conheceram-se na escola. Desde 2012 estudavam juntos e sempre  consideraram um ao outro como “melhor amigo/a”. “Sempre tivemos uma amizade forte, nos víamos todos os dias, mas ninguém nunca falou para o outro sobre o que sentia. Estávamos descobrindo também”, contou Bruna. No caso da Bruna e do Gabriel, o pedido de namoro aconteceu um tempo depois dos dois começarem a namorar. Primeiro, Gabriel convidou Bruna para ir ao cinema. “Em 2015 convidei ela para ir ao cinema, ‘normal’”, disse Gabriel. Tanto ele quanto Bruna tinham receio de falar sobre seus sentimentos, medo de perder a amizade que tanto preservavam. “Ficamos pela primeira vez no cinema. E depois fomos ficando. Parece que foi um mês mas, na verdade, já se passaram dois anos e a gente está junto”, disse Gabriel.Bruna conta como foi o dia em que Gabriel pediu para a família dela se os dois poderiam namorar. “Meu Deus. Estava nervoso (risos)”, disse ele. Bruna lembra que ela e a mãe deixaram Gabriel e o futuro sogro na sala, sozinhos. “Ele disse ‘sim’, e só. Ainda bem que não falou mais nada”, contou Gabriel ainda agitado, ao recordar a cena. Depois disso, Bruna conta que a única preocupação da família foi que os dois continuassem estudando e que o namoro não viesse a atrapalhar essa fase da vida deles. Ela também falou sobre a vontade que tinha de conhecer a família do Gabriel. “Queria ficar mais perto, conhecer a família dele, queria muito saber mais da vida dele. Por termos sido melhores amigos antes do relacionamento penso que isso ajudou muito em nosso namoro”, avalia.


“Os dois precisam respeitar a liberdade um do outro”Para Gabriel, que acreditava que o namoro seria algo ‘chato’, hoje tem uma outra visão sobre o assunto. “Falam que namorar é chato, mas no fundo todo mundo está procurando alguém. As pessoas de fora falam que a gente não mudou, porque respeitamos as escolhas, as amizades um do outro”. Ainda segundo Gabriel, namorar tem sido uma experiência importante. “É mais alguém na família. Se a família não aceita é muito ruim, tem que ter a família. É legal o namoro, você conhece outra família, vai na casa, são pessoas diferentes e vivências novas”, comenta. Ao recordar de tudo isso, Bruna contou que foi importante ter esperado para frequentar a casa do Gabriel e ter essa vivência com a família dele. “A família do Gabriel é mais liberal nesse sentido. Eu ficava incomodada quando meus pais não deixavam eu ir na casa dele, enfim, mas a gente esperou porque gosta da pessoa, se não gostasse talvez teria desistido logo”, disse ela. Embora o casal seja bastante jovem, Bruna comenta que existe consciência quanto aos projetos futuros. “A gente já sabe que talvez vamos ter caminhos diferentes devido a formação acadêmica, que talvez o Gabriel tenha que ir para uma faculdade longe, temos essa consciência, a gente fala que não vamos perder o contato, temos planos futuros, todo casal tem, mas vamos deixando o tempo acontecer, não queremos atropelar as coisas”, comenta.Para finalizar, os dois falaram ainda sobre o companheirismo e frisaram sobre o elemento “liberdade” em uma relação. “Tem que ter confiança, respeito, companheirismo, mas a liberdade é fundamental, não oprimir, não limitar o outro quanto suas escolhas, saber dividir. Namoro não é só você, sempre tem que pensar no outro”, disseram. Redes sociais: Casais que se conhecem nesse espaço Taline Dorigon e o namorado Lucas J. Klein  Foto: Arquivo PessoalPara completar essa matéria, a reportagem do Jornal Gazeta conversou com o casal Taline Dorigon, 20 anos, e Lucas J. Klein, 20 anos. Eles namoram faz dois anos e moram em São Miguel do Oeste. Os dois se conheceram por meio das redes sociais e pelos amigos em comum. “Começamos a sair juntos e depois de um tempo ficamos bem próximos, ele começou a frequentar minha casa como amigo e minha família adorava ele. Depois de quase dois anos de amizade, descobrimos que estávamos apaixonados um pelo outro e então ele me pediu em namoro”, recorda Taline.Lucas contou que já conhecia a mãe de Taline. “Foi bem tranquilo. Não foi nenhuma surpresa para ninguém, pois todos já desconfiavam e torciam por nós”, disse. Taline complementou: “Na família dele fui muito bem recebida, me dei bem com todos e eles aceitaram bem nosso namoro, me senti acolhida por todos”.Para eles, comparando com o passado, hoje existe maior facilidade nas relações. Nesse dia dos namorados, ela acrescenta que é importante existir o companheirismo, e ter alguém para contar. “Passar o dia dos namorados juntos é bom para poder lembrar que temos alguém que nos ama, nos admire, que está ao nosso lado todos os dias, nos momentos bons e ruins e que te aceita do jeito que você é. Penso que para manter isso tudo é necessário que exista cumplicidade, entender que todos temos defeitos e aceitar o companheiro do jeito que ele é, sempre apoiando um ao outro, e acima de tudo respeitando e amando muito”, finalizou. 


Oresti e Olga, em seus plenos 60 anos de namoro/casamento Foto: Claudia weinman
Foto: Arquivo Pessoal
Foto: Arquivo Pessoal

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