Encontro no auditório da Prefeitura discutiu fluxo de atendimento, critérios de caracterização do trabalho infantil e atuação da rede de proteção
Argeu Padilha / TVGC
Última atualização: 2026/06/22 11:00:29No auditório da Prefeitura de São Miguel do Oeste, foi realizado o Fórum Municipal de Combate ao Trabalho Infantil. O encontro reuniu profissionais da assistência social, educação, saúde e Conselho Tutelar. Ao final da programação, houve interação entre os participantes e intervalo para coffee break.
A coordenadora do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PET), Marília Numeroli, explicou a organização do evento e o objetivo da integração entre os setores.
“Pensamos em promover esse momento de integração entre os profissionais da assistência social, da saúde, da educação, do Conselho Tutelar, justamente porque são esses profissionais que atuam diretamente no atendimento das famílias e das crianças e dos adolescentes”, afirmou.
Ela também detalhou o fluxo de atendimento dos casos. Segundo Marília, a porta de entrada costuma ser o Conselho Tutelar, com possibilidade de encaminhamento ao CRAS e ao CREAS, conforme a situação.
“Quando a situação é confirmada, há orientação à família e ao local onde ocorre a atividade. Se a situação não cessa, o caso é encaminhado para acompanhamento no CREAS”, disse.
A assistente social do CREAS, Vanessa Serigheli Groth, abordou os critérios de caracterização do trabalho infantil e a necessidade de análise do contexto familiar.
“É muito difícil identificar hoje um trabalho infantil. A gente precisa partir do princípio do que a criança ou o adolescente está deixando de fazer para exercer aquela atividade. Não se pode pegar uma situação isolada”, afirmou.
Ela também destacou fatores culturais da região.
“Os nossos avós trabalharam na lavoura, os nossos pais trabalharam na lavoura, então os filhos vão trabalhar, os netos vão trabalhar, e não é bem por aí”, disse.
Vanessa reforçou que atividades domésticas ou tarefas simples podem ocorrer, desde que não haja prejuízo a direitos.
A psicóloga da Secretaria de Educação, Gabriela Marin, abordou os impactos no desenvolvimento de crianças expostas a situações de trabalho infantil.
“Um exercício de atividade prejudicial e perigosa para o desenvolvimento da criança pode privar de um desenvolvimento saudável, seja físico, seja nas dinâmicas relacionais, e principalmente prejudicar a capacidade de aprender”, afirmou.
Durante o fórum, também foi informado que há dois casos em acompanhamento no CREAS no município. Segundo a equipe, as situações não correspondem a cenários semelhantes aos apresentados em materiais ilustrativos utilizados no evento.
Os profissionais reforçaram que a avaliação de possíveis casos envolve análise do contexto, verificação de risco e eventual privação de direitos, como frequência escolar.
Ao final, os participantes destacaram que o objetivo da rede é orientar famílias e acompanhar situações identificadas, com atuação conjunta entre os serviços de assistência social, educação e Conselho Tutelar.
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