Em documento oficial, a sigla afirma que passa a trabalhar em uma candidatura alinhada aos “anseios da sociedade catarinense”
Rádio Mirador
Última atualização: 2026/01/27 11:44:14O MDB de Santa Catarina decidiu, por unanimidade, deixar a base de apoio do governo atual e iniciar a construção de um projeto próprio para as eleições ao Governo do Estado em 2026. A deliberação ocorreu na noite desta segunda-feira (26), durante reunião do diretório estadual realizada em Florianópolis, e marca uma inflexão estratégica do partido após integrar o governo desde o início da atual gestão.
Em documento oficial, a sigla afirma que passa a trabalhar em uma candidatura alinhada aos “anseios da sociedade catarinense”, ressaltando seus 60 anos de atuação no Estado. Até então, o MDB ocupava espaços relevantes na administração estadual, com cinco secretarias e a presidência da Fesporte, o que evidencia o impacto imediato da decisão sobre a estrutura do governo. Paralelamente à definição por um caminho próprio, o partido autorizou a abertura de diálogo com outras legendas que compartilhem princípios e valores semelhantes, sinalizando a intenção de liderar articulações políticas para o próximo pleito, seja com candidatura própria ou à frente de uma composição mais ampla.
O diretório também definiu uma postura de independência em relação ao Executivo estadual. A orientação é para que filiados deixem cargos no governo, embora o partido mantenha, no Legislativo, apoio a projetos considerados de interesse do Estado e da população. Segundo a nota, a atuação fora da base governista será pautada pela responsabilidade institucional, preservando o debate político sem alinhamento automático ao Palácio.
A saída do MDB deve provocar mudanças imediatas na composição do governo. O deputado federal Carlos Chiodini anunciou o retorno à Câmara dos Deputados, e a sigla ainda ocupa cargos estratégicos, como a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e da Economia Verde, comandada por Cleiton Fossá, a Secretaria de Infraestrutura e Mobilidade, sob Jerry Comper, e a presidência da Fesporte, com Jeferson Ramos Batista, além de filiados em outros níveis da administração.
Nos bastidores, a ruptura é atribuída à insatisfação com a condução política do governador, interpretada por lideranças do partido como um gesto de rompimento de confiança. A crise se agravou após Jorginho Mello optar por não indicar um nome do MDB para a vaga de vice-governador, escolhendo Adriano Silva, do partido Novo, decisão que consolidou o afastamento e redesenhou o cenário político catarinense com foco já projetado em 2026.
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