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Abusos da “Justiça”

A Palavra Nua veste-se com a indignação em mais um ataque que nossos companheiros estão sofrendo

 Dessa vez, um educador popular, Ricardo Velho, que há anos contribui com o coletivo da Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP) e Pastoral da Juventude Rural (PJR), do Extremo-oeste Catarinense. Abaixo a nota das organizações sobre o que está acontecendo.“Em mais um ataque aos trabalhadores, o Ministério Público Federal, no dia 16 de agosto de 2017, afastou das funções públicas Ricardo Velho – Diretor do Campus – e Maicon Fontanive – Coordenador Geral Pedagógico –  trabalhadores do Instituto Federal Catarinense (IFC) Abelardo Luz, bem como apreendeu seus computadores, telefones celulares e quebrou o sigilo destes e da reitora Sonia Regina.Esse ataque ocorreu porque os trabalhadores desse IFC buscaram uma intervenção articulada com os movimentos sociais do campo, para desenvolvimento das atividades pedagógicas. Tal estratégia educacional, de realização de convênios visando uma aproximação política e educacional com a realidade local, é comum em outros campi dos Institutos Federais do país.A sede do campus está localizada a 30 km de distância do centro de Abelardo Luz e é uma conquista da luta do MST e de outros movimentos campesinos da região. Assim, desde sua criação, há uma ação política para que o campus saia desse local e mude seu caráter formativo, e caso isso não ocorra tentam fechar esse IFC.  Os grandes empresários locais pressionam para que os cursos e os eixos pedagógicos sejam voltados para a preparação imediata de força de trabalho para os grandes frigoríficos e setores do agronegócio da região.Ou seja, há uma ação política reacionária pela mudança na localização e existência do campus. Esta ação tem tomado diversas formas. A atual decisão judicial é mais um forte ataque dos setores do agronegócio, por via judicial, agora utilizando força policial em seu favor, frente a resistência e a luta dos movimentos sociais da região.As denúncias que são elencadas no despacho não se sustentam, são claros ataques e perseguições políticas, não somente aos companheiros citados no processo, mas a todos os trabalhadores comprometidos com a educação que vem atuando no Campus.Segue alguns pontos da acusação: que o campus é controlado pelo MST e que o Movimento toma as decisões pela instituição, que foi criado um curso de pedagogia para preparar membros do MST e contrata-los para trabalhar no Campus, que há uma imposição de ideologia de esquerda e do Movimento aos estudantes e trabalhadores da instituição e que por isso, estão sendo gerados “danos irreparáveis” a partir do trabalho realizado. Contra as acusações de ingerência e controle do movimento destacamos que o Instituo Federal é uma Entidade Pública e por se tratar de um órgão de educação tem por função o diálogo com a comunidade e os movimentos sociais, e isso não pode ser punido ou criminalizado como se pretende com esse processo”.Todo nosso apoio aos companheiros que estão passando por mais esse golpe. Consideramos um abuso da Justiça e claro, um posicionamento evidente de que cada vez mais quem luta será criminalizado. É estado de golpe, mas nós não nos calaremos. Até a vitória. 

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