A advogada e escritora Adriana Cagol lançou, na última sexta-feira, 25, o livro Sobrevivente: da escuridão à luz. Da sobrevivência a uma nova vida. O evento foi realizado na Livraria Objetiva e marcou a apresentação da primeira obra da autora, que reúne relatos de parte da própria trajetória.
“Para muitos é apenas um livro, é mais um livro. Para mim, esse livro carrega 30 anos da minha vida. 30 anos da minha vida estão dentro desse livro”, explicou Adriana.
A obra é dividida em duas partes. Na primeira, a autora apresenta uma autobiografia que percorre momentos da infância até uma tentativa de suicídio, ocorrida quando ela tinha 26 anos. Na segunda parte, relata o processo que vivenciou para superar aquele período e reconstruir a própria vida.
“Na primeira parte do livro eu conto uma parte da história da minha vida, desde a infância até uma tentativa de suicídio. Na segunda parte, conto como consegui literalmente sobreviver à tentativa de suicídio”, relatou.
Adriana afirma que, naquele período, enfrentava um estado depressivo e relaciona a situação ao acúmulo de traumas e dores ao longo da vida.
“Quando a gente está nesse estado, eu acredito que era uma depressão, mas é um acúmulo de muitos traumas, de muitas dores que a gente acumula durante a nossa vida”, afirmou.
A escolha do período para o lançamento também esteve relacionada às ações de conscientização sobre saúde mental e valorização da vida realizadas durante o mês de setembro. A identidade visual da obra utiliza o amarelo e uma porta como elementos simbólicos.
“Eu decidi que a gente fizesse isso nesse mês justamente para que conseguíssemos trabalhar melhor essa questão da valorização da vida”, explicou.
Segundo Adriana, a porta representa a passagem da escuridão para a luz. A chave, por sua vez, simboliza as ferramentas que podem auxiliar uma pessoa a buscar ajuda.
“Hoje nós temos vários canais de apoio. Na época não tinha. Eu digo hoje que esses canais são ferramentas, são chaves para abrir a porta”, destacou.
Entre essas ferramentas, a autora destaca os livros. Durante o período mais difícil de sua vida, ela recebeu obras apresentadas por Eliseu Ouro, pessoa que, segundo Adriana, teve participação importante em seu processo de recuperação. Em homenagem, ela dedicou um exemplar à memória dele.
“O seu Eliseu Ouro representou, para mim, a ferramenta mais importante que me tirou do fundo do poço e abriu a porta. Ele sabia da minha paixão pelos livros e me apresentou livros. Foram esses livros que fizeram com que eu virasse essa chave e abrisse essa porta”, contou.
A produção do livro levou cerca de dois anos e contou com trabalho de escrita, reescrita e revisão. Por tratar de um tema relacionado ao suicídio, a obra também foi revisada pelo psicólogo Abel Peter, especialista em prevenção e pósvenção do suicídio, que também escreveu o prefácio.
“Eu tinha essa preocupação por conta da sensibilidade do tema, porque essa questão dos suicídios ainda é um tabu para muitas pessoas”, explicou Adriana.
A autora afirma que algumas situações vivenciadas foram omitidas da publicação. Segundo ela, a decisão teve relação com a proposta da obra.
“O objetivo do livro de forma nenhuma é a gente se vitimizar ou para que as outras pessoas tenham pena. Não é esse o objetivo”, afirmou.
Adriana também explica que a história pessoal é utilizada como instrumento para alcançar outras pessoas.
“O Sobrevivente não é só a minha história. Eu uso a minha história com o propósito de atingir a vida de outras pessoas”, disse.
O livro Sobrevivente pode ser adquirido diretamente com a autora e na Livraria Objetiva. A obra também está em processo de disponibilização em plataformas digitais, incluindo a Amazon e o formato e-book. Adriana ainda pretende produzir uma versão em audiobook.
“Eu quero que ele seja uma ferramenta também na vida das pessoas, para que isso possa alcançar o máximo de pessoas possível”, declarou.
Para a autora, o objetivo é que a obra possa chegar a pessoas que estejam enfrentando dificuldades relacionadas à saúde mental ou a familiares que vivenciem situações semelhantes.



