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CAMBALACHOS

A situação por que passa o povo brasileiro de boa fé, comandado por governos ladrões, loucos e servís aos organismos capitalistas interessados num mercado de mais de 200 milhões de almas e um território de mais de 8 milhões de quilômetros quadrados com subsolo recheado de infindáveis riquezas, além do mar territorial de 200 milhas cujas profundezas abrigam infindáveis reservas petrolíferas, nos faz lembrar o lendário tango CAMBALACHE, de Henrique Santos Discépolo, lançado por Sofia Bozan na revista de teatro Maipo em 1935

No mesmo ano foi gravado por Roberto Maida acompanhado pela Orquestra Francisco Canaro no rótulo Odeon e, em 1936, Tania em Paris, dirigido pela própria orquestra de Discépolo. Durante a década de 40, destaque as versões de Roberto Arrieta com Miguel Caló (Odeon) e Alberto Echagüe com Juan D’Arienzo (Victor).A letra do Tango faz um relato da situação da época e projeta o Século XXI da Aregentina. A menção ao Brasil é pertinente, pois por aqui, o Tango de Discépolo é um retrato da situação em que vivemos. Por isso convém reproduzir a letra em seu original e em seguida sua tradução, para que não paire qualquer dúvida quanto à pertinência de seu título e conteúdo. CAMBALACHELetra e música de Enrique Santos DiscépoloQue el mundo fue y sera una porqueria, ya lo se; en el quinientos seis y en el dos mil también;Que siempre ha habido chorros, maquiavelos y estafaos, contentos y amargaos, valores y dubles, pero que el siglo veinte es un despliegue de maldad insolente ya no hay quien lo niegue;vivimos revolcaos en un merengue y en un mismo lodo todos manoseaos.Hoy resulta que es lo mismo ser derecho que traidor, ignorante, sabio, chorro, generoso, estafador.Todo es igual; nada es mejor; lo mismo un burro que un gran profesor.No hay aplazaos ni escalafon; los inmorales nos han igualao.Si uno vive en la impostura y otro roba en su ambición, da lo mismo que si es cura, colchonero, rey de bastos, caradura o polizon.Que falta de respeto, que atropello a la razon; cualquiera es un señor, cualquiera es un ladron.Mezclaos con Stavisky, van Don Bosco y la Mignon, don Chicho y Napoleon, Carnera y San Martin.Igual que en la vidriera irrespetuosa de los cambalaches se ha mezclao la vida, y herida por un sable sin remaches ves llorar la Biblia contra un calefon.Siglo veinte, cambalache problematico y febril; el que no llora, no mama, y el que no afana es un gil.Dale nomas, dale que va, que alla en el horno nos vamo a encontrar.No pienses mas, echate a un lao, que a nadie importa si naciste honrao. Que es lo mismo el que labura noche y día como un bueyque el que vive de los otros, que el que mata o el que curao esta fuera de la ley.CAMBALACHO (tradução)Que o mundo foi e será uma porcaria, eu sei; em quinhentos e seis e em dois mil também; que sempre houve jatos, maquiavelicos e truques, felicidades e amarguras, valores e dublês, mas que o século XX é uma exibição de maldições insolentes não há ninguém para negar. Vivemos em um merengue e no mesmo lodo todos manuseados.
Hoje, resulta que é o mesmo estar certo como um traidor,ignorante, sábio, jato, generoso, aturdidor.Tudo é o mesmo; nada é melhor; dá no mesmo ser um burro do que um excelente professor.Não há atraso ou escalonamento; os imorais são iguais a nós.Se alguém vive da impostura e outro rouba sua ambição,dá no mesmo ser um padre, um rufião, um rei de bastos, cara de pau ou poliicial. Que falta de respeito, que atropelo à razão; Qualquer um é um senhor, qualquer um é um ladrão.Misturam-se Stavisky, Dom Bosco e Mignon, Don Chicho e Napoleão, Carnera e San Martin.Os mesmos que no copo desrespeitoso dos cambalachosmisturaram a vida e ferido com um sabre sem rebites. Você vê a Bíblia chorando contra um aquecedor de água.Vigésimo século, cambalacho problemático e febril;aquele que não chora, não mama, e aquele que não se esforça é um ingênuo.Não dê nada, dê-lhe o que vale, que lá no inferno vamos nos encontrar. Não pense mais, lance uma ligação, que ninguém mais se importa se nasceste honrado. É o mesmo aquele que trabalha noite e dia como um boi, que que vive pelos outros, do que aquele que mata ou cura ou é um fora da lei.
VIVER NA IGNORÂNCIAA rejeição do projeto de lei do incentivo à leitura pela gloriosa e colenda câmara municipal de vereadores é a confirmação do interesse do poder na manutenção da ignorância do povo. É sabido que o povo ignorante mantém a estrutura de poder dos mal intencionados, como já por muitas vezes tratado nesta coluna. Sendo assim, vamos destruir as bibliotecas, ao invés de melhorá-las. Só assim será mantido o atual estado de coisas, com um povo servil e ignorante. Mas o que chama à atenção são os votos de professores, e vereadores com curso superior, que teriam a obrigação de enxergar um palmo à frente do nariz, votando contra a instrução e o desenvolvimento intelectual. Vamos viver na ignorância, pois é onde o terreno é mais fértil para germinação de interesses pessoais. 

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