No mesmo ano foi gravado por Roberto Maida acompanhado pela Orquestra Francisco Canaro no rótulo Odeon e, em 1936, Tania em Paris, dirigido pela própria orquestra de Discépolo. Durante a década de 40, destaque as versões de Roberto Arrieta com Miguel Caló (Odeon) e Alberto Echagüe com Juan D’Arienzo (Victor).A letra do Tango faz um relato da situação da época e projeta o Século XXI da Aregentina. A menção ao Brasil é pertinente, pois por aqui, o Tango de Discépolo é um retrato da situação em que vivemos. Por isso convém reproduzir a letra em seu original e em seguida sua tradução, para que não paire qualquer dúvida quanto à pertinência de seu título e conteúdo. CAMBALACHELetra e música de Enrique Santos DiscépoloQue el mundo fue y sera una porqueria, ya lo se; en el quinientos seis y en el dos mil también;Que siempre ha habido chorros, maquiavelos y estafaos, contentos y amargaos, valores y dubles, pero que el siglo veinte es un despliegue de maldad insolente ya no hay quien lo niegue;vivimos revolcaos en un merengue y en un mismo lodo todos manoseaos.Hoy resulta que es lo mismo ser derecho que traidor, ignorante, sabio, chorro, generoso, estafador.Todo es igual; nada es mejor; lo mismo un burro que un gran profesor.No hay aplazaos ni escalafon; los inmorales nos han igualao.Si uno vive en la impostura y otro roba en su ambición, da lo mismo que si es cura, colchonero, rey de bastos, caradura o polizon.Que falta de respeto, que atropello a la razon; cualquiera es un señor, cualquiera es un ladron.Mezclaos con Stavisky, van Don Bosco y la Mignon, don Chicho y Napoleon, Carnera y San Martin.Igual que en la vidriera irrespetuosa de los cambalaches se ha mezclao la vida, y herida por un sable sin remaches ves llorar la Biblia contra un calefon.Siglo veinte, cambalache problematico y febril; el que no llora, no mama, y el que no afana es un gil.Dale nomas, dale que va, que alla en el horno nos vamo a encontrar.No pienses mas, echate a un lao, que a nadie importa si naciste honrao. Que es lo mismo el que labura noche y día como un bueyque el que vive de los otros, que el que mata o el que curao esta fuera de la ley.CAMBALACHO (tradução)Que o mundo foi e será uma porcaria, eu sei; em quinhentos e seis e em dois mil também; que sempre houve jatos, maquiavelicos e truques, felicidades e amarguras, valores e dublês, mas que o século XX é uma exibição de maldições insolentes não há ninguém para negar. Vivemos em um merengue e no mesmo lodo todos manuseados.
Hoje, resulta que é o mesmo estar certo como um traidor,ignorante, sábio, jato, generoso, aturdidor.Tudo é o mesmo; nada é melhor; dá no mesmo ser um burro do que um excelente professor.Não há atraso ou escalonamento; os imorais são iguais a nós.Se alguém vive da impostura e outro rouba sua ambição,dá no mesmo ser um padre, um rufião, um rei de bastos, cara de pau ou poliicial. Que falta de respeito, que atropelo à razão; Qualquer um é um senhor, qualquer um é um ladrão.Misturam-se Stavisky, Dom Bosco e Mignon, Don Chicho e Napoleão, Carnera e San Martin.Os mesmos que no copo desrespeitoso dos cambalachosmisturaram a vida e ferido com um sabre sem rebites. Você vê a Bíblia chorando contra um aquecedor de água.Vigésimo século, cambalacho problemático e febril;aquele que não chora, não mama, e aquele que não se esforça é um ingênuo.Não dê nada, dê-lhe o que vale, que lá no inferno vamos nos encontrar. Não pense mais, lance uma ligação, que ninguém mais se importa se nasceste honrado. É o mesmo aquele que trabalha noite e dia como um boi, que que vive pelos outros, do que aquele que mata ou cura ou é um fora da lei.
VIVER NA IGNORÂNCIAA rejeição do projeto de lei do incentivo à leitura pela gloriosa e colenda câmara municipal de vereadores é a confirmação do interesse do poder na manutenção da ignorância do povo. É sabido que o povo ignorante mantém a estrutura de poder dos mal intencionados, como já por muitas vezes tratado nesta coluna. Sendo assim, vamos destruir as bibliotecas, ao invés de melhorá-las. Só assim será mantido o atual estado de coisas, com um povo servil e ignorante. Mas o que chama à atenção são os votos de professores, e vereadores com curso superior, que teriam a obrigação de enxergar um palmo à frente do nariz, votando contra a instrução e o desenvolvimento intelectual. Vamos viver na ignorância, pois é onde o terreno é mais fértil para germinação de interesses pessoais.
CAMBALACHOS
A situação por que passa o povo brasileiro de boa fé, comandado por governos ladrões, loucos e servís aos organismos capitalistas interessados num mercado de mais de 200 milhões de almas e um território de mais de 8 milhões de quilômetros quadrados com subsolo recheado de infindáveis riquezas, além do mar territorial de 200 milhas cujas profundezas abrigam infindáveis reservas petrolíferas, nos faz lembrar o lendário tango CAMBALACHE, de Henrique Santos Discépolo, lançado por Sofia Bozan na revista de teatro Maipo em 1935



