Caros leitores, amantes da cerveja! Hoje vamos falar de uma relação muito interessante: cerveja e religião.
Quando olhamos para a história da cerveja, fica impossível dissociá-la dos deuses, da magia ou de algum ser superior. Afinal, quando a cerveja foi descoberta, atribuíram aos seres superiores tal feito, mais precisamente à deusa Ninkasi, primeira a receber os méritos pelo “surgimento” da cerveja.
Depois disso, vieram descobertas arqueológicas aqui na América do Sul sugerindo que antigas civilizações como os Incas, Maias e Astecas fermentavam bebidas a base de cereais e também atribuíam tal resultado aos poderes divinos.
Seguindo o curso da história, já num período mais recente, vemos que a palavra cerveja é uma homenagem dos romanos à deusa Ceres (em latim, Cervisiae) a deusa da agricultura e da fertilidade.
Mais ou menos nessa época, chegamos à Europa Ocidental onde os monges detinham o conhecimento e a tecnologia para produzir cervejas com o objetivo de ser um alimento saudável para consumo próprio ou então moeda de troca com monges de outras abadias. Estes monastérios pertenciam a diferentes ordens religiosas e estavam localizados principalmente na Inglaterra, Bélgica e Alemanha. Aliás, não é por nada que estas são as três principais escolas cervejeiras do mundo, que deram origem à maioria das cervejas das quais conhecemos hoje.
Dos mais expressivos cenários religiosos diretamente ligados à produção de cerveja, podemos citar a Bélgica. É lá que encontramos a maior concentração de monastérios que produzem cerveja. Aliás, produzem também diversos produtos, como vinhos, queijos, embutidos, doces.
A Alemanha, por sua vez, também teve seus tempos de glória mas sofreu muito com as guerras pelas quais passou e destruiu grande parte destas abadias. Já a Inglaterra, mesmo que tivesse monges produzindo cerveja, uma parte de suas produções ficaram restritas ao próprio consumo enquanto que o restante era de propriedade da corte.
E assim, a cerveja vem escrevendo a história ao lado da religião, pelo menos aqui no Ocidente, onde já é possível encontrar cervejas produzidas em mosteiros em quase todas as lojas de cerveja do país. Aliás, sobre estas cervejas, conhecidas como trapistas, falaremos na próxima coluna. Até lá!




