Durante as medidas restritivas impostas pelo decreto 515 do Governo do Estado, a extensão rural da Epagri estava atendendo de forma remota os agricultores, para evitar o deslocamento deste público até os escritórios municipais da empresa. Ou Seja, os trabalhos estavam sendo feitos em casa seguindo determinação do governo do estado para evitar a propagação do Coronavírus – Covid-19.
Desde o dia 16 de abril aos poucos os escritórios municipais da Epagri voltaram a atender as famílias rurais de forma presencial, seguindo todas as recomendações do governo do estado de prevenção contra o Coronavírus. Ou seja, está sendo feito de forma organizada com colocação de placas informativas, uso de álcool gel antes de ser atendidos e o mais importante todos devem usar máscaras, tanto o funcionário da Epagri como o agricultor.
Os atendimentos estão sendo feitos preferencialmente nos escritórios e as visitas somente em caso de muita urgência. Só poderá ser atendida uma pessoa por vez e com todos os cuidados possíveis. A prioridade será atender aquelas famílias que necessitam de apoio das políticas públicas do governo estadual e federal como programa Menos Juros, Troca x Troca de calcário, Kit forrageiras e outros.
É muito importante que as famílias rurais façam agendamento dos atendimentos para evitar aglomerações e assim estamos nos prevenindo contra o Covid-19. Então é só ligar para os escritórios municipais da Epagri ou pelo celular do técnico e agendar o atendimento.
Outro fator importante neste momento além da pandemia do Coronavírus é com relação a estiagem que persiste na região e trazendo muitos prejuízos as famílias rurais. Este tipo de atendimento também será priorizado pela Epagri, inclusive na busca de recursos para construção de cisternas, poços e proteção de fonte de água.
PANDEMIA DO CORONAVÍRUS COMEÇA A AFETAR MERCADO AGROPECUÁRIO EM SC
Como não poderia ser diferente e estamos só no início deste grande problema que é a pandemia do Coid-19, onde diversos setores econômicos começam a serem afetados. Um deles pode ser a agropecuária que apesar de ter uma boa safra, mas se esse problema continuar poderá sofrer consequências com a falta de consumo.
A pandemia do novo coronavírus já se reflete no mercado agropecuário. O Boletim Agropecuário emitido em abril pelo Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola da Epagri (Epagri/Cepa) aponta as cadeias produtivas da maçã, feijão, trigo, cebola e leite como afetadas em maior ou menor grau pela crise causada pela Covid-19.
A maçã fuji sofre com a redução da demanda escolar, causada pelo cancelamento das aulas em decorrência do isolamento domiciliar. A maior demanda da fruta se concentra nesse momento nas redes de atacado e varejo e pequenos varejistas. Assim, a estratégia das classificadoras é segurar os novos lotes para reduzir a oferta e pressionar a valorização dos preços da variedade.
O feijão teve alta significativa nos preços, o que, na avaliação da Epagri/Cepa é efeito da pandemia somada à estiagem que atinge o Sul do país. Em Santa Catarina, o preço pago ao produtor pelo feijão carioca teve alta de 22,24%. No caso do feijão preto, os produtores catarinenses perceberam alta de 6,13%.
O trigo foi outro produto cujos preços continuaram a subir em março. O cenário é resultado da dificuldade de importações dos países vizinhos e aumento da demanda interna em função da pandemia, aliada à alta do dólar. Os produtores catarinenses receberam em março R$46,36 em média pela saca de 60 Kg, alta de 1,62% no mês. Em Santa Catarina, o plantio do trigo começa normalmente em junho. Para a safra 2020/2021 a expectativa é de aumento da área plantada em função das previsões de crescimento da demanda nos cenários nacional e mundial.
A cebola teve o ritmo de escoamento de produção afetado pela pandemia, mas não os preços, que alcançaram o melhor patamar até o momento. O preço de comercialização da cebola nesta safra teve grande variação. Em Santa Catarina, a comercialização chegou a ficar bem abaixo da estimativa do custo de produção. Em março os valores reagiram. Segundo a Epagri/Cepa, os produtores catarinenses iniciaram o mês de março com preço da cebola classe 3 a R$1,00/kg. No final da primeira quinzena, passaram a receber de R$1,20/kg a R$1,55/kg, fechando o mês a R$2,20/kg nas regiões de Rio do Sul e Ituporanga.
CADEIA PRODUTIVA DO LEITE E CORTE PREOCUPA
Para todos os segmentos da cadeia produtiva do leite, o cenário para os próximos meses é muito preocupante, aponta o boletim da Epagri/Cepa. A produção brasileira tem ficado abaixo dos níveis esperados. Mesmo com o decréscimo de oferta, os preços dos lácteos não davam sinais de recuperação.
A chegada da entressafra tendia a mudar esse quadro, mas a pandemia da Covid-19 complicou a situação do setor. Parte dos produtores catarinenses já sentirá os efeitos disso em abril, com queda no preço recebido. Outra parte deve receber preços igual ou levemente acima dos de março.
Todos devem refazer seu planejamento com relação a plantel, redução de custos, implantação de tecnologias sustentáveis com a produção de leite a base de pasto perene, implantação de pastagens anuais de inverno na forma de sobre semeadura nas gramas e capins. Tudo isso de forma planejada e buscara sempre a orientação técnica para tomara a melhor decisão.
Conforme o esperado, o preço médio do boi gordo em Santa Catarina registrou queda de 7,4% na comparação entre fevereiro e dezembro últimos. Contudo, quando se compara a média preliminar de fevereiro com o mesmo mês de 2019, as variações são positivas: 6,8% em Chapecó, 14,8% em Lages e 21,4% na média estadual.
O frango enfrentou queda de 2,8% na exportação entre fevereiro e março, e de 29,5% na comparação com março de 2019. As receitas caíram 4,8% em relação a fevereiro e 32,5% na comparação com março do ano passado.
Já as exportações de suínos aumentaram 7,5% entre fevereiro e março e 14,5% na comparação com março de 2019. O faturamento de março foi de US$ 85,52 milhões, alta de 6% em relação ao mês anterior e de 36,7% na comparação com março de 2019. Os bons resultados na exportação contrastam com as oscilações negativas do preço do suíno vivo em diversas praças catarinense, em razão da redução de demanda no mercado interno. O preço médio estadual ao produtor independente registrou queda de 8,8% na comparação entre março e a média preliminar da primeira quinzena de abril, com variações de até -21,8% em algumas praças.
MERCADO DE GRÃOS TAMBÉM É AFETADO
O milho sofre com a estiagem, que causou retração de 10% na produção catarinense em relação à safra anterior. Os preços, que estavam em elevação desde setembro, apresentaram sinais de recuo na primeira quinzena de abril. Isso é reflexo do cenário internacional, já que, diante da desvalorização do petróleo, a demanda pelo cereal no mercado externo retraiu e, consequentemente, as cotações no mercado doméstico também. Outro fator é o recuo na produção de etanol nos Estados Unidos e Brasil, diminuindo a demanda por milho.
A produção esperada de soja no Estado deve ser 4,4% inferior à safra anterior. A redução só não foi maior em função do aumento de mais de 10 mil hectares da área cultivada e aos bons rendimentos das lavouras em municípios do Oeste do Estado. Apesar do impacto da pandemia no mercado internacional das commodities, os preços se mantém fortalecidos em função da cotação do dólar frente ao real em fevereiro e março. Em Santa Catarina, os preços em março apresentaram uma reação de 6,88% em relação ao mês anterior e de 13,2% frente ao mesmo mês do ano passado.
O mercado do arroz segue aquecido em Santa Catarina, contrariando a tendência de redução dos preços nesse período. Até o momento, 97% da área plantada na safra principal de 2019/20 já foi colhida e a expectativa é de produção normal na maioria das regiões.




