Conforme o Padre Lothário Thiel, em São Miguel do Oeste/SC o ato aconteceu no dia 07 de setembro. Segundo ele, o tema do grito discutiu o golpe contra os/as trabalhadores/as, refletindo e denunciando as reformas do governo, considerando a reforma da previdência que ainda não foi votada.Thiel enfatizou que há 19 anos esse movimento acontece em São Miguel do Oeste e simboliza o momento em que as organizações, movimentos, sindicatos e pastorais sociais levam para às ruas os seus anseios. “É importante que o povo que está sendo excluído possa ocupar as ruas nessa data todos os anos para expressar seus sonhos, as esperanças, falar sobre a grave situação política, econômica que o país está enfrentando”, disse.Segundo ele, o grito dos/as excluídos/as mostra um outro olhar para a sociedade e para as realidades. “Aqui em São Miguel do Oeste o Grito dos/as Excluídos/as acontece sempre junto com o desfile organizado pelo município. No entanto, o espírito é diferente, precisamos traduzir aquilo que o povo realmente sente”, disse. Além da explicação colocada pelo Pe. Lothário Thiel, é importante evidenciar que nesse ano aconteceram alguns “acordos”, onde ficou imposta sim a não realização de manifestações que poderiam sugerir a defesa de alguma realidade ou outra. No caso do Grito dos/as excluídos/as existe o desejo de um grupo para que a gente não faça mais parte desse momento porque afinal, fica “feio” para o município tanta denúncia, tanta gente indignada com a corrupção, com a violência, com o racismo, com a reforma trabalhista, da previdência, com as perdas na Educação, com a perda de direitos….Esse é o momento que muitos que pertencem a determinados grupos desejam mostrar o seu poder, a sua veste, o orgulho de pertencer a pátria. Mas, qual pátria? Essa onde vemos que nas margens estão os indígenas que conquistaram alguns direitos a custa de sangue? Que perderam suas terras porque alguém gritou independência? Que pátria devemos amar? Essa onde nós mulheres sofremos com o machismo todos os dias? A pátria dos coronéis que fantasiados com terno e gravata cantam o hino nacional em cima de um palanque para mostrar mais uma vez a hierarquia do poder? A pátria dos que embolsam dinheiro público para financiar campanhas, empresas? O Oeste Catarinense é um espaço de lutas, aqui nasceram vários movimentos, pastorais, organizações sindicais e populares, não esperem mordaças….Essa semana mesmo o governo cortou verbas do programa “Mais Educação” que até então retirava das ruas crianças do campo e da cidade, oferecia aulas de reforço, de cultura, de lazer…Então quer dizer que se levantarmos a bandeira do Fora Temer vamos ser punidos no próximo ano? Não vão nos deixar participar do desfile porque não concordamos com o fato das crianças perderem o direito a educação? As vaidades são inúteis nesse momento. Não fazem parte da nossa pauta. Pintar o rosto, fazer stêncil, erguer uma faixa, evidenciar uma bandeira, falar da terra, da água, da luta por soberania alimentar, em defesa dos nossos companheiros/as haitianos/as que aqui vieram trabalhar e até hoje alguns recebem menor salário que os “brancos”, isso tudo está ligado com a dignidade de ser humano. Completar as fileiras na luta por direitos não é crime, mas é visivelmente “feio” para aqueles e aquelas que nunca fazem nada além de seu próprio benefício. Hoje em dia, não é difícil ser vereador, prefeito, sei lá qual outra autoridade se pode mencionar. Essa semana mesmo uma pessoa falava sobre um tal candidato passado que ofereceu grana por votos em uma comunidade bem do interior de São Miguel do Oeste. E aí, essa pessoa está lá, completando a fila no palanque, defendendo a pátria…. Difícil mesmo é encontrar alguém coerente que deseje conduzir a tarefa e dos poucos que se salvam nesse contexto, acabam sofrendo com a repressão e vivem no silêncio. Bom, ficamos por aqui, sem perder a voz, a palavra escrita, a coragem de anunciar a vida e denunciar essas mazelas. Até a vitória.
Grito dos/as excluídos/as.
Olá. Esta coluna foi escrita antes do dia 07 de setembro então pode ser que a conjuntura do que aconteceu durante esse feriado tenha mudado, mas vale vestir as palavras falando sobre a importância da 23ª edição do Grito dos/as Excluídos/as deste ano que trouxe como lema: Vida em Primeiro Lugar: “Por direitos e democracia, a luta é todo dia”



