Logo que iniciamos a quarentena, há pouco mais de um mês, as redes sociais bombaram com mensagens de otimismo por um mundo melhor no pós-pandemia. A intenção desse texto é justamente analisar se, de fato, podemos ter a esperança de um mundo mais justo e fraterno.
Quando entramos em isolamento social, aqui em Santa Catarina, no dia 19 de março, a Itália estava em seu pico de mortes diárias, eram mais de 900 por dia. Nas redes sociais haviam muitos vídeos de conscientização sobre a importância do isolamento social, de ficar em casa, sair com máscara, uso do álcool em gel, lavar muito bem as mãos e seguir todos os protocolos possíveis de cuidados. Juntamente com tais assuntos, estavam as esperanças de um mundo renovado.
Alguns dos textos publicados nesse período falavam do quanto nossos ares estavam menos poluídos, do quanto o lixo e emissão de gases tóxicos já haviam diminuído. Tais mensagens eram de esperança para uma nova consciência ecológica. Ali percebi a falácia e a falta de informação que permeia o imaginário coletivo sobre esses assuntos. Se, por um lado, os ares estão mais limpos e nossa camada de ozônio mais clara, por outro nossas terras e lençóis freáticos estão cada vez mais contaminados com a quantidade de pessoas que morrem aos excessos. Pois é, não sei se por ignorância ou se por erro de raciocínio, mas o certo é que a poluição apenas mudou de ponto, não deixando de existir.
Outro assunto bastante explorado foi em relação ao consumismo. Haviam inúmeros grupos nutrindo a esperança de que, através do isolamento social, as pessoas dariam conta, como num passe de mágica, de que não precisam de muito para viver. A valorização de ter um alimento de qualidade, preparado pela própria família, substituiria a ânsia por ter sempre produtos processados, cheios de sódio, gordura e calorias vazias. Ledo e grande engano! Assim que os restaurantes foram liberados para trabalhar com entregas (o famoso Delivery, que nada mais é do que Entrega em inglês), motoboys estavam cheios de serviço, buscando e levando comida a todos. O arroz e feijão (do qual muitos fizeram estoques que vão durar até o ano que vem), feito pela família, foram deixados de lado, o foco agora é pizza, hambúrguer, batata frita… Mas, ainda é comida, tudo bem, até podemos deixar essa passar.
Com o anúncio da abertura das lojas muitas pessoas chegaram antes do horário comercial a espera de aglomerar o espaço. As mesmas pessoas que há dias reclamavam que passariam fome se não pudessem trabalhar, estavam lá comprando freneticamente, afinal, tinham o poder, a oportunidade de salvar a economia. Economia de quem mesmo? Pergunto isso por ter a impressão de que, querendo salvar a economia, esqueceram que talvez mais tarde esse dinheiro pode fazer falta!
Entre todo esse consumismo, não podemos esquecer a nova moda lançada: máscaras super estilosas, que combinam com tudo. Ou melhor, você pode comprar vários modelos diferentes para seus looks ficarem com muito estilo! E para coroar as cafonices de tais máscaras, conseguiram até inventar máscaras de ouro e prata, para usar em cima da máscara tradicional, como se fosse uma jóia. É uma linda jóia que com certeza carregará muitos vírus por aí, por onde for.
Por isso, caros leitores, preciso lhes dizer, como sempre, com toda sinceridade: nada vai mudar para melhor no Brasil pós-pandemia. As pessoas seguirão querendo salvar primeiramente a economia, mesmo que para isso precise sacrificar outras milhares; continuarão comprando desenfreadamente, produtos que não precisam, apenas porque a loja está aberta, esquecem da importância de fazer uma reserva de dinheiro, pois podemos entrar novamente, a qualquer momento, em um período de maior isolamento social.
O período em casa, que poderia ter sido destinado para repensarmos o modo como encaramos a vida, acabou sendo um período a mais para acumular exageradamente itens em carrinhos em lojas on-lines, sonhando em comprar tudo aquilo quando o salário chegar. Assim, percebo agora que estava enganado: haverá sim uma sociedade nova: com roupas e calçados novos para salvar a economia dos bancos, pagando os altos juros das contas de cartão de crédito em atraso.
Para quem deseja investir e não sabe em qual segmento, deixo aqui uma dica: invista na economia de cemitério, no sudeste e norte do Brasil está rendendo muito! As cidades vizinhas como Palma Sola e Santa Helena já têm pessoas contaminadas de Coronavírus.



