Primeiramente agradeço as mensagens dos meus leitores, em especial Carmen, Gabriel, Marcos, Matheus e Marlise que sempre entram em contato após a leitura de meus escritos. Obrigado! Atendendo a pedidos, após fazer uma breve análise sobre o contexto geral da pandemia no texto anterior, hoje escreverei mais pontualmente sobre nossa região do extremo oeste.
Antes apenas preciso explicar rapidamente, conforme foi-me solicitado, a tal frase “Os velhos ficam em casa. Os jovens vão trabalhar. Vamos salvar a economia”. Aquele que disse essa frase não tem a menor noção do que ela significa. Centenas de milhares de “velhos” trabalham como pedreiros, catadores de materiais recicláveis e empregada doméstica. Quem vai sustentá-los? Os miseráveis R$ 600,00? Os jovens vão trabalhar! Devem contrair o vírus para depois contaminar os idosos em casa, é isso? O fato dos idosos estarem no grupo de risco não quer dizer que os jovens não vão morrer, pelo contrário: estão morrendo aos montes!
No site oficial do governo de Santa Catarina, amplamente divulgado pelo TV GC, mostra que dos 717 casos confirmados de Covid-19, até do dia 10 de abril, 21,6% são de pessoas entre 30 e 39 anos e 12,3 % entre 20 e 29 anos, totalizando 33,9%. Enquanto os acima de 60 anos chegam a 25,5% dos infectados. Assim, em Santa Catarina os jovens estão mais vulneráveis que os demais. Quem é que deve ficar em casa mesmo? Todos que puderem!
Quanto a “salvar a economia”, economia de quem? Essa é a pergunta que não esclarecem. O Brasil oscila entre as 20 e 10 maiores economias do mundo, você sentiu isso no bolso? Eu não! A responsabilidade de cuidar do pequeno/ médio empresário e do povo é do Estado! Você não deveria estar se arriscando indo para o trabalho, por que manter o povo é obrigação do Estado. A luta deve ser para ele nos manter e não para voltarmos à linha de frente do trabalho.
Bom, dito isso, agora é sobre São Miguel do Oeste e cidades ao redor.
Tenho a impressão de que próprio lar não é o melhor lugar para muitas pessoas. Aquelas que têm condições de ficar em casa, muitas vezes, são as primeiras a perambular pela cidade com objetivo de promover aglomerações desnecessárias. Diante de um assunto sério, colocam a própria vida e a dos demais em risco. Que falta de respeito para com o próximo! Obviamente aqui não estou me referindo aos que saem esporadicamente com as pessoas da própria casa para fazer um breve caminhada pela quadra, nos horários que não há ninguém na rua, e nem relação aos que, de fato, precisam realizar seus afazeres, como trabalhar ou pegar um dinheiro no banco para pagar o aluguel, o mercadinho e os familiares.
Podemos ainda observar filas imensas para entrar no mercado, no banco e nas lojas, simbolizando o descaso com a gravidade da situação que estamos enfrentando. Alguns bancos adotaram marcações no chão para evitar que as pessoas fiquem próximas. Algo simples, só manter a distância cuja metragem está pronta, dada de graça. Funciona? Raramente. Os mal-educados insistem em desrespeitar as regras, só levarão esse assunto a sério quando um familiar ou amigo for o defunto.
Use a tecnologia ao seu favor e proteja sua vida e das pessoas que você ama. Faça suas compras sem sair de casa, isso é bom para você e para a economia local. Há inúmeras atividades que devem ser feitas a distância, dentro da própria casa, por exemplo: pagar as contas (luz, água, internet, boletos das lojas, fatura de cartão de crédito); fazer transferência de dinheiro; compras em mercados e farmácias. É tão simples quanto pedir uma pizza. Tudo isso pode ser feito por aplicativos no celular, tudo rápido, fácil e de graça!
Quer comprar uma calça ou um livro? Tem lojas que estão atendendo a
delivery: você compra e ela te entrega em casa! Nesta semana comprei um livro da livraria Objetiva, via Instagram, e chegou mais rápido que uma pizza. Até empresas do interior, como a Kitanda Delivery, entrega produtos coloniais na tua casa com hora marcada. Supermercados, lojas dos mais variados ramos, padarias, todos com delivery! Ou seja, você fica em casa, compra sem pegar fila, entregam e ainda fica seguro contra o Coronavírus!
Creio que, com o desenvolvimento desses serviços, quem optar por usá-los, não viverá mais sem. É uma facilidade que chegou para ficar. Muitas dessas opções já estavam aí e eram pouco usadas, mas agora é uma necessidade que salva vidas.
Não se iluda: ainda não há casos aqui, mas não estamos livres. Fique em casa!



