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Você teria coragem de mentir no currículo para ter um emprego melhor?

Imagine aquela vaga de emprego, tão almejada e sonhada por todos, diante dos teus olhos, pronta para ser sua, basta dizer que é qualificado numa área que não tem a menor ideia do que se trata e pronto, a vaga é sua! Mentiria? No Brasil o que não falta é […]

          Imagine aquela vaga de emprego, tão almejada e sonhada por todos, diante dos teus olhos, pronta para ser sua, basta dizer que é qualificado numa área que não tem a menor ideia do que se trata e pronto, a vaga é sua! Mentiria? No Brasil o que não falta é oportunidade de ser bem remunerado e com bom ambiente de trabalho. Inúmeras empresas multinacionais contratam estrangeiros por não encontrarem pessoas gabaritadas entre nós brasileiros, acredite!

       Ter qualificação é dizer que está preparado para desenvolver determinada função com excelência. Cada curso, numa escola de formação séria, exige do aluno dedicação, dezenas e até centenas de horas de estudo, para depois de algum tempo poder atribuir o título. Esse é o caminho honesto e correto, mas como no Brasil tudo é piada, muitas pessoas procuram o meio mais fácil de melhorar o currículo: mentir descaradamente.

          O caso mais recente colocado a público, no dia 25 do mês passado, foi a nomeação do fanfarrão Carlos Alberto Decotelli para Ministro da Educação, que contava com doutorado pela Universidade Nacional de Rosário, na Argentina. Logo foi desmentido nas redes sociais pelo reitor da instituição, Franco Bartolacci. O então ministro concluiu as disciplinas, mas foi reprovado na qualificação da tese e nunca obteve o título. Considerando que ele conta com um “pós-doutorado” no currículo, tenho medo de saber como conseguiu fazer essa mágica.

Para piorar a situação os seguidores do presidente, ao invés de exigirem uma explicação pelo ocorrido, prontamente correram para defendê-lo dizendo que isso era um “detalhe irrelevante”. Irrelevante? Uma pessoa desonesta apontada para ser Ministro da Educação é irrelevante?

O atual governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, foi mais audacioso: colocou no Lattes que fez seu doutorado em Harvard, renomada Universidade Norte Americana, de prestígio mundial. Quando descoberta a mentira, ele argumentou que colocou no currículo por ser um sonho que ele tinha – e quem não tem, não é mesmo?

Apenas para não deixar cair no esquecimento, cito a ministra da Família, Damares Alves, que também afirmou possuir mestrado em Educação e em Direito Constitucional. Depois, sem ter para onde correr, alegou que, de acordo com a bíblia, todo estudioso cristão era também um mestre. Não quero questionar a fé e interpretação bíblica de ninguém, mas convenhamos que essa desculpa não colou muito bem.

Em 2009, dez anos antes de Bolsonaro sentar-se na cadeira presidencial, Dilma Rousseff – na época Ministra da Casa Civil – tinha em seu currículo Lattes que era Mestre e Doutoranda pela Unicamp. Porém, de acordo com a própria Universidade, Dilma nunca defendeu sua dissertação de mestrado, mesmo tendo  feito todas as disciplinas exigidas. Apesar de não ser Mestre, ela conseguiu – e isso é um mérito – passar para o doutorado, mas também não foi concluído.

Entre as mentiras mais bizarras temos o episódio da Sara Winter, militante apoiadora de Bolsonaro, presa no mês passado por fazer parte do Grupo 300, que fazia reivindicações antidemocráticas pelo país. Ela poderia ter seguido o exemplo de seus colegas e ter dito que era formada numa universidade de prestígio, como a de Paris Sorbonne, Universidade de Heidelberg, Universidade de Buenos Aires ou mesmo pela Universidade de São Paulo, mas não! Optou pela simplicidade: afirmou que era formada pela Uninter. A mentira só veio a tona por causa da prisão, já que para ter cela especial precisava apresentar o diploma que dizia possuir.

Teoricamente ter títulos acadêmicos demonstra que, aquele que estuda, é uma pessoa mais gabaritada para assumir um determinado cargo e todos sabem disso. Porém, há três maneiras de consegui-los no Brasil: segundo os exemplos acima; comprando na Uniesquina; ou ralando de estudar numa instituição séria, essa é a forma mais difícil e, por isso, menos procurada.

Na prática é fácil separar o joio do trigo. No Fantástico, há alguns dias, diante de uma abordagem da Vigilância Civil devido a aglomeração em um bar carioca e não uso de máscara por parte de clientes, uma mulher fala em alto e bom tom ao agente: “Cidadão não! Engenheiro formado. Melhor do que você!”.  A tal mulher não sabia que falava com um Dr em Veterinária pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.

Isso demonstra que a formação acadêmica do não-cidadão, não fez dele uma pessoa melhor para sociedade, já que demonstrou claramente que sequer sabe o que é ser um cidadão.

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