Home Psicóloga de São Miguel do Oeste aborda liderança feminina, autoestima e posicionamento

Psicóloga de São Miguel do Oeste aborda liderança feminina, autoestima e posicionamento

Em entrevista ao quadro “Papo de Mulher”, Graciélli Draczevski Camini falou sobre insegurança profissional, influência cultural e os desafios enfrentados por mulheres em posições de liderança

Marília Alberto / TVGC

Última atualização: 2026/09/02 1:50:09

A psicóloga Graciélli Draczevski Camini, de São Miguel do Oeste, participou do quadro “Papo de Mulher” para falar sobre liderança feminina, autoestima, posicionamento e desenvolvimento pessoal e profissional.

Com 20 anos de atuação na área de gestão de pessoas, Graciélli trabalha com desenvolvimento de líderes e equipes, além de realizar mentorias individuais. Ao longo da carreira, atuou em consultorias e na gestão de pessoas de indústrias. Atualmente, é CEO da Guia de Gestão de Pessoas e desenvolve trabalhos voltados à liderança, incluindo o projeto “Lidere Como Uma Mulher”.

Durante a entrevista, a psicóloga explicou que a insegurança de muitas mulheres diante de posições de liderança também possui relação com fatores históricos e culturais.

“Historicamente, viemos num viés de não. Você não é capaz, você está na submissão, mas hoje a gente vive uma realidade diferente.”

Segundo Graciélli, a construção histórica das relações entre homens e mulheres deixou reflexos que ainda podem ser percebidos no comportamento profissional e pessoal.

Ela citou como exemplo a expectativa de que a mulher esteja completamente preparada antes de se candidatar a uma oportunidade.

“Eu não sou boa o suficiente, que é a tal da síndrome da impostora. Então, eu vejo a vaga, por exemplo, e não precisa ser de liderança, pode ser outro cargo, mas eu não me sinto pronta e então eu nem me candidato.”

Para a psicóloga, esperar uma autorização externa para assumir determinadas posições pode impedir o desenvolvimento profissional.

“Se eu ficar esperando alguém me autorizar, eu não vou fazer. Porque, em geral, o mundo é machista ainda, a cultura é machista.”

Autoconfiança e liderança

Outro ponto abordado durante a conversa foi a diferença entre ter capacidade para liderar e sentir-se autorizada a ocupar uma posição de liderança.

Graciélli afirmou que a autoestima está relacionada à forma como a pessoa reconhece o próprio potencial e destacou que o desenvolvimento dessa percepção ocorre ao longo do tempo.

“Se eu entendo que eu tenho condições, não estou pronta ainda, mas eu quero, eu vou construir isso. Então, eu vou correr atrás. E essa construção é diária.”

A psicóloga também diferenciou autoconfiança de arrogância. Segundo ela, uma pessoa segura de suas capacidades não precisa diminuir outras pessoas para ocupar seu espaço.

“Uma mulher que tem autoestima em ordem, que ela consegue construir e ver seu potencial, ela não precisa desmerecer ninguém.”

Ela acrescentou que a liderança também envolve o desenvolvimento das pessoas que estão ao redor.

“Ela segue, ela puxa pela mão. A liderança da mulher é uma liderança saudável porque ela vai conduzindo outras pessoas e chama outras mulheres para isso.”

Apoio entre mulheres

Durante o programa, Graciélli também destacou a importância da relação entre mulheres no ambiente profissional e social. Para ela, a competição e o julgamento entre mulheres são comportamentos que precisam ser repensados.

“As mulheres, ao invés de se indicar, de se ajudarem, na grande parte, elas não fazem isso. Então, os homens são uma inspiração para nós nesse sentido: de se ajudar, de indicar, de não julgar.”

Ela defendeu que o apoio deve ocorrer independentemente das escolhas pessoais de cada mulher.

“Que a gente possa julgar menos nesse sentido e se apoiar mais.”

Carreira, maternidade e vida pessoal

A entrevista também abordou a cobrança enfrentada por mulheres que procuram conciliar carreira, maternidade, relacionamentos e outras responsabilidades.

Graciélli afirmou que não existe uma divisão fixa e equilibrada entre todos esses papéis durante todas as fases da vida.

“Quando você tem um bebê, você vai se dedicar mais para isso. E está tudo bem.”

Ela também criticou a associação entre aparência física e competência profissional ou pessoal.

“Venderam para nós duas coisas. Primeiro que a mulher atrela a competência dela ao corpo físico. Isso destrói a gente.”

Segundo a psicóloga, aparência e capacidade profissional são dimensões diferentes.

“Não existe corpo físico perfeito. […] Não tem nada a ver a competência física com a competência mental.”

O primeiro passo

Questionada sobre o que uma mulher pode fazer quando reconhece que possui capacidade, mas ainda não acredita plenamente em si mesma, Graciélli apontou o desejo de mudança como ponto inicial.

“Se existe o querer, que é o principal, então eu quero assumir uma outra função, assumir outras atividades, eu preciso começar a olhar para isso.”

Ela também recomendou a busca por conhecimento e a convivência com pessoas que contribuam para o desenvolvimento.

“Busque uma leitura, boas pessoas perto. Pessoas que te incentivem, que te apoiam, porque o medo é universal, todo mundo tem.”

Para Graciélli, o ambiente de convivência pode influenciar o processo de desenvolvimento.
“Precisa mudar a mesa onde a gente senta.”

Livro aborda autoestima e posicionamento

Durante o programa, Graciélli apresentou o livro O Jeito Plana de Ser, obra escrita por um grupo de 30 autoras. No capítulo de sua autoria, ela aborda a construção da segurança e da autoestima, com foco no posicionamento feminino.

Segundo a psicóloga, assumir uma posição de liderança também significa compreender que nem sempre será possível agradar a todos.

“A gente precisa desagradar para estar na liderança. O desagradar, de forma educada, honesta, justa, mas é o posicionamento.”

Ela também destacou o autoconhecimento como parte desse processo.

“O mais importante nessa construção é como eu me trato, o que eu aceito, como eu aceito ser conduzida, o que eu gosto e o que eu não gosto.”

Ao final da entrevista, Graciélli resumiu sua visão sobre o desenvolvimento feminino em uma frase que também é apresentada no livro:

“A chave para ser feliz é a coragem. Agir com o coração, decidir com consciência, abraçar as imperfeições.”

A psicóloga afirmou ainda que seu trabalho busca ampliar a consciência das mulheres sobre suas escolhas e possibilidades.

“Eu entendo que a gente pode ampliar a consciência de outras mulheres para liderar ou não, mas para se posicionar, para serem felizes no caminho.”

deixe seu comentário

leia também

leia também