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Síndrome de FOMO expõe impactos do uso excessivo de smartphones na saúde mental

Medo constante de perder informações nas redes sociais intensifica ansiedade

G1

Última atualização: 2026/01/08 9:24:47

A dificuldade de se desconectar do celular e a necessidade quase automática de checar notificações têm nome e consequências. Conhecida pela sigla em inglês FOMO, de fear of missing out, a síndrome descreve o medo persistente de ficar de fora de acontecimentos, especialmente no ambiente digital, e já é considerada um dos sinais mais evidentes do uso excessivo de smartphones e redes sociais.

A FOMO se manifesta por uma ansiedade contínua relacionada ao que acontece dentro das telas. Esse estado leva a um ritual de verificação constante de aplicativos, sobretudo redes sociais e grupos de mensagens, mesmo em momentos inadequados, como durante o trânsito ou fora do horário de trabalho. Quando a checagem não é possível, surgem irritação, nervosismo e sensação de desconforto. Segundo a psiquiatra Julia Khoury, mestre e doutora em Medicina Molecular pela Universidade Federal de Minas Gerais, cada notificação funciona como um gatilho. O recebimento do alerta é interpretado como um convite imediato à checagem, motivado pelo receio de perder informações consideradas relevantes.

O fenômeno não se limita à vida pessoal. No ambiente profissional, a FOMO aparece no hábito de acompanhar ininterruptamente grupos de trabalho, mesmo em períodos de descanso, comprometendo o ócio, essencial para a recuperação mental, física e para o estímulo da criatividade. Já no campo pessoal, a comparação constante com a vida alheia reforça a percepção de que outros estão sempre em situação melhor, alimentando frustrações e afetando a autoestima.

Do ponto de vista neurológico, o uso repetitivo do celular ativa a liberação de dopamina em regiões associadas ao prazer e ao controle dos impulsos. Esse mecanismo ajuda a explicar por que a checagem contínua pode se transformar em dependência digital. O resultado é um aumento nos quadros de ansiedade, estresse e dificuldades de atenção, além de alterações no comportamento.

De acordo com a especialista, em casos mais intensos, a exposição permanente a estímulos pode evoluir para transtornos como a Síndrome de Burnout, ligada ao esgotamento extremo, ou agravar sintomas do Transtorno de Déficit de Atenção. A sensação de estar sempre sobrecarregado de informações impede o descanso adequado e compromete a capacidade de concentração, um cenário que, segundo a médica, tem se tornado cada vez mais frequente na prática clínica.

O avanço da FOMO reforça o debate sobre limites no uso da tecnologia e a necessidade de estratégias de equilíbrio digital. Em um mundo hiperconectado, aprender a se desconectar deixou de ser luxo e passou a ser uma medida de saúde pública e bem-estar.

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