Ação realizada na Praça Valnir Botaro Daniel contou com o Ônibus Lilás, serviços públicos, órgãos de proteção, orientações jurídicas e atividades voltadas às mulheres
Argeu Padilha / TVGC
Última atualização: 2026/08/13 9:31:11São Miguel do Oeste realizou, na terça-feira (11), uma ação do Agosto Lilás, campanha de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher. A programação foi organizada pela Secretaria Municipal de Assistência Social e reuniu diferentes órgãos e entidades na Praça Valnir Botaro Daniel.
As atividades começaram pela manhã com uma carreata pelas ruas do município e seguiram até as 16h. Entre os participantes estavam a Secretaria de Assistência Social, CREAS, CRAS, Secretaria de Saúde, Rede Catarina, DPCAMI, OAB, Sala do Empreendedor e clubes de mães.
A secretária de Assistência Social, Andreia Rebelato, explicou que a ação teve como foco levar informação e apresentar os serviços disponíveis para as mulheres.
“As mulheres precisam de informação para saber que elas não estão sozinhas e que elas podem sair de um relacionamento onde elas são agredidas. Que elas têm esse amparo, que elas têm esse apoio. Nós estamos aqui para isso”, afirmou Andreia.
Ônibus Lilás esteve pela primeira vez no município
Uma das atividades da programação foi a presença do Ônibus Lilás, estrutura da Secretaria de Estado da Assistência Social destinada a ações de prevenção e atendimento relacionadas à violência contra a mulher.
A diretora da Secretaria Municipal de Assistência Social, Jane Ries, informou que a articulação para trazer o veículo começou em fevereiro.
“É um enorme prazer nós termos conseguido trazer o ônibus Lilás para o município de São Miguel do Oeste. Essa articulação começou lá no mês de fevereiro, quando nós fizemos o contato com a Secretaria de Estado”, explicou.
Segundo Jane, o ônibus conta com duas salas destinadas a atendimentos privativos. Durante a programação, os espaços foram utilizados pelas equipes do CREAS, Rede Catarina e DPCAMI.
“Nós temos as equipes, a equipe do CREAS, com assistente social, psicólogo, que farão atendimento particularizado nessa sala, no espaço mais privativo, e também a outra sala que é usada pela Rede Catarina e a DPCAMI”, detalhou.
A diretora também explicou que o veículo representa uma estratégia de aproximação entre Estado, municípios e a população.
“A questão do ônibus é muito mais representativa, figurativa, a partir do momento que ela traz toda essa simbologia de um trabalho que o Estado, junto com o município, os municípios catarinenses, desenvolvem focado na questão de desenvolver ações visando à prevenção da violência contra a mulher”, disse.
CREAS atua no acompanhamento das vítimas
A coordenadora do CREAS, Marília Munerolli, explicou como funciona o atendimento às mulheres vítimas de violência dentro da rede municipal.
“O papel do CREAS é realizar o atendimento às mulheres vítimas de violência. Lógico que dentro dos serviços do CREAS nós temos outros serviços, mas um deles é o atendimento a mulheres vítimas de violência”, afirmou.
Segundo Marília, em casos nos quais há registro de ocorrência e concessão de medida protetiva, a situação pode chegar ao CREAS para acompanhamento.
“A partir do deferimento da medida protetiva vem para acompanhamento do CREAS. O CREAS recebe a medida, faz contato com a mulher ou muitas vezes ela já busca. A partir disso, inicia o acompanhamento com a assistente social e a psicóloga”, explicou.
Ela destacou que o atendimento considera também os demais integrantes da família.
“A equipe tem um olhar para todo o grupo familiar. Não é só a mulher que é vítima de violência”, disse.
A partir do atendimento, o CREAS pode articular encaminhamentos com outras áreas, como saúde, educação e segurança.
Rede pode auxiliar em situações de afastamento do lar
Marília também explicou que a assistência social pode atuar quando a mulher e os filhos precisam deixar a residência por causa da violência.
“Dependendo da situação, do contexto da violência, a mulher e os filhos precisam ser retirados da casa. Então o CREAS faz esse suporte”, afirmou.
Em determinadas situações, segundo ela, podem ser adotadas medidas para garantir hospedagem temporária e acesso ao aluguel social.
“Se precisar estar disponibilizando hotel para alguns pernoites, até que a mulher consiga se organizar, o CREAS faz esse trabalho. Também tem a questão do aluguel social, que é quando a mulher não tem nenhuma renda, que ela precisa ficar afastada do lar”, explicou.
A secretária Andreia Rebelato também destacou o trabalho realizado pela assistência social.
“É um trabalho silencioso, não podemos divulgar, mas é um trabalho de suma importância que a nossa equipe realiza”, afirmou.
Denúncias podem ser feitas de forma anônima
Durante a ação, a coordenadora do CREAS reforçou que a população pode procurar os órgãos de proteção e que a denúncia pode ser feita mesmo quando a vítima não consegue tomar a iniciativa.
“A denúncia pode ser feita de forma anônima. 180, Polícia Civil, Polícia Militar, DPCAMI, no CREAS também pode fazer a denúncia. Então existem vários canais de denúncia”, orientou Marília.
Ela também ressaltou que a violência não se restringe às agressões físicas.
“Não é só a questão da violência física. Violência psicológica, violência patrimonial. Então existem vários tipos de violência”, afirmou.
Segundo Marília, a informação é uma das ferramentas utilizadas para romper o ciclo de violência.
“É justamente o objetivo dessa campanha que nós estamos fazendo aqui, é justamente para dizer para essas mulheres que elas não estão sozinhas, que existe uma rede de proteção preparada para atendê-las”, declarou.
Sigilo faz parte do atendimento
Jane Ries também falou sobre o sigilo profissional durante os atendimentos realizados pela rede.
“O sigilo profissional é parte do agir profissional. Isso tanto para psicólogo, assistente social, na área médica”, explicou.
Segundo ela, a mulher é orientada sobre essa questão já durante o acolhimento.
“Quando a mulher chega, na acolhida que é feita, os profissionais, assistentes sociais, psicólogos já vão tranquilizá-la, acolher e falar dessa questão tão importante que é o sigilo, que ela pode confiar em relatar”, afirmou.
Jane também destacou a necessidade de fortalecer a confiança da população nos serviços públicos.
“O cidadão só vai trazer a situação, o problema que ele vivencia, a partir do momento que ele tem confiabilidade. Ele precisa confiar nos órgãos”, disse.
Programação continua durante o mês
A Secretaria de Assistência Social informou que outras ações do Agosto Lilás serão realizadas ao longo do mês. A programação foi descentralizada para alcançar também mulheres que vivem no interior do município.
Andreia Rebelato explicou que a decisão busca ampliar o acesso à informação.
“Nós descentralizamos as ações do Agosto Lilás esse ano para chegar nas mulheres do interior, que também têm índices de violência doméstica. As casas são mais distantes e há dificuldade da comunicação”, afirmou.
A programação prevê atividades nos dias 13, 19 e 24 de agosto.
A mobilização do dia 11 reuniu serviços de assistência social, saúde, segurança, orientação jurídica e iniciativas comunitárias. A proposta é ampliar o acesso das mulheres às informações sobre direitos, formas de denúncia e serviços disponíveis na rede de proteção.
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