Em entrevista ao Papo de Mulher, Neidi Cassol abordou saúde mental, sobrecarga, relações pessoais e o papel de empresas e lideranças no cuidado com as pessoas
Marília Alberto / TVGC
Última atualização: 2026/09/15 1:10:31Durante o mês de Setembro Amarelo, a saúde mental e a prevenção do suicídio ganham espaço em ações de conscientização. O tema foi abordado no programa Papo de Mulher, apresentado por Marília, em entrevista com Neidi Cassol, profissional formada em Administração, mestre em Gestão de Negócios e especialista em desenvolvimento de pessoas.
Com trajetória na área corporativa e experiência como professora universitária, Neidi passou a direcionar parte da atuação para temas relacionados ao desenvolvimento humano, inteligência emocional, saúde mental e bem-estar emocional. Atualmente, realiza trabalhos com empresas, equipes e profissionais em Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul.
Durante a entrevista, ela destacou que a sobrecarga, a pressão por resultados, o excesso de informações e o uso constante de telas podem interferir no bem-estar emocional.
Segundo Neidi, alguns sinais podem indicar que a saúde mental precisa de atenção. Entre eles estão problemas constantes de sono, cansaço que permanece mesmo após períodos de descanso e irritabilidade frequente. No caso das mulheres, ela também apontou a presença recorrente da culpa e da cobrança por tentar cumprir diferentes papéis.
A especialista ressaltou que a percepção desses sinais deve ser acompanhada pela busca por ajuda. Para ela, reconhecer que não está conseguindo lidar sozinho com determinada situação é parte do processo de cuidado.
Outro ponto abordado foi a relação entre vida pessoal e ambiente profissional. Neidi afirmou que a ideia de separar completamente os problemas pessoais da rotina de trabalho não corresponde à realidade, uma vez que as pessoas levam consigo diferentes aspectos da própria vida para dentro das organizações.
Nesse contexto, ela destacou o papel das lideranças. Para Neidi, o líder não precisa exercer a função de psicólogo da equipe, mas deve desenvolver atenção às mudanças de comportamento dos colaboradores e ampliar a própria inteligência emocional.
“O líder, ele não tem que ser psicólogo da sua equipe, mas ele tem que ter um olhar atento.”
A profissional também defendeu que a responsabilidade pela saúde mental não deve ser totalmente transferida para empresas, profissionais ou familiares. Segundo ela, cada pessoa precisa participar ativamente do próprio cuidado.
Entre as medidas citadas estão a atenção ao sono, a redução do uso de telas antes de dormir, o cuidado com o excesso de informações, alimentação adequada, ingestão de água e prática de atividade física. Ela também mencionou relações pessoais, espiritualidade e fé como aspectos que podem contribuir para o bem-estar.
A entrevista também tratou da importância de observar mudanças no comportamento de familiares, amigos e colegas. Neidi explicou que alterações em relação ao comportamento habitual de uma pessoa podem indicar que algo não está bem.
“Uma pessoa, por exemplo, que é muito comunicativa e risonha, e de repente ela muda o comportamento, ela passa a ser mais quieta, mais retida, mais contida, tem alguma coisa aí.”
Ao falar sobre a procura por atendimento psicológico e terapêutico, Neidi destacou que buscar ajuda não deve ser associado à fraqueza. Ela orientou que pessoas que percebem estar sobrecarregadas façam uma avaliação da própria situação e procurem apoio de profissionais, familiares ou pessoas de confiança.
Para as empresas, a profissional defendeu que os investimentos em saúde mental sejam tratados como parte da estratégia organizacional, considerando a relação entre o bem-estar dos trabalhadores, os relacionamentos e os resultados das organizações.
Ao final, Neidi reforçou a necessidade de reconhecer os próprios limites e tomar medidas diante de situações de sofrimento emocional.
“Buscar ajuda não é sinal de fraqueza, pelo contrário. Buscar ajuda é sinal de maturidade, de valorização da sua vida.”
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