Edenilson Zanardi (PL) garantiu a São Miguel do Oeste (SC) um avanço econômico 3 vezes maior que a média estadual de 12,2%, em 2025
Diário do Poder
Última atualização: 2026/06/08 8:58:54Ao transitar do pequeno para o médio porte, a cidade catarinense São Miguel do Oeste, de cerca de 50 mil habitantes, elevou sua economia em 39%, saindo de aproximadamente R$ 1,59 bilhão, em 2024, para ultrapassar R$ 2,22 bilhões, em 2025. O avanço três vezes maior que a média de 12,87% de Santa Catarina quebra a trajetória tradicional de cidades do interior do Brasil, que têm seu desenvolvimento geralmente atrelado à dependência dos repasses de recursos públicos federais e estaduais.
Quem conduz estes resultados é o prefeito Edenilson Zanardi (PL), com uma postura proativa de atrair investimentos privados e mobilizar a integração social, para impulsionar a economia no município do extremo oeste de Santa Catarina. E os retornos desta liderança econômica estadual para políticas públicas já devem chegar em 2027, com a perspectiva de uma injeção de R$ 1 milhão a mais na receita municipal. Montante que deve ser revertido em mais investimentos nas escolas, agilizar exames e consultas na saúde, e investir em assistência social, esporte e cultura, segundo o prefeito.
Longe de conchavos políticos e dos radicalismos ideológicos e partidários que pautam a polarização nacional, Zanardi detalhou para o Diário do Poder como tem buscado pessoalmente atrair grandes redes varejistas e agroindustriais, como a Havan, a JBS e a Aurora Coop, com esta última fazendo o maior investimento atraído pelo prefeito, de R$ 600 milhões na ampliação da planta industrial da cidade, confirmada neste mês de maio.
“O empresário quer ser lembrado, ele quer um carinho, ele quer o asfalto na frente da sua empresa ou ele quer um acesso fácil de logística. Nem brigam por baixar impostos. Querem é ter um bom acesso, ter mão de obra e, eventualmente, quando precisar do município, o município estar ali dizendo: ‘Irei te ajudar porque você é importante. É importante você estar aqui gerando emprego, renda e movimento econômico’”, disse Zanardi.
O desenvolvimento via setor privado supera o da capital Florianópolis. E tem chegado ao município da promissora região bem próxima da Argentina, que consegue importar para mercados asiáticos, mesmo estando longe do litoral, e inaugurou ontem (28) a reforma de seu aeroporto municipal, com R$ 8,3 milhões investidos em parceria com o governador Jorginho Mello (PL).
Veja o comparativo da evolução econômica de 2025, divulgado pela Prefeitura de São Miguel do Oeste:

O conselho de Zanardi para gestores públicos é compreender orçamento, formar uma boa equipe de governo, identificar e incentivar os potenciais da cidade que favoreçam as estratégias de expansão dos diversos setores privados. Seu método inclui diálogo franco e direto com a comunidade, inovar na integração social de imigrantes e reinserção de apenados.
“Quando você é eleito, tem que esquecer a política. Tem que governar para todos. E o meu desafio é entregar no meu mandato uma cidade melhor do que eu peguei. Com números melhores ou uma condição melhor para a sociedade. Eu pretendo, no fim do meu mandato, entregar e sair muito feliz. E agradecer a Deus e ao time, que é importante. Ninguém ganha uma partida sozinho”, aconselha o prefeito.
A atração de investimentos privados já era um histórico na gestão pública em São Miguel do Oeste?
Estamos no extremo Oeste do estado, uma região muito próxima da Argentina e bastante promissora. Como estamos distantes do litoral, na região mais estreita do estado, tivemos que nos reinventar. Eu já fui vice-prefeito na gestão passada, e embora os investimentos privados fossem recebidos, nunca houve a visão que temos agora. Eu sou empresário do comércio e meu vice é da indústria. Temos como pilar buscar novos empreendedores e dar suporte e incentivos para quem já está aqui, como oferecer até 200 horas de serviço de máquina para terraplanagem e melhoria das empresas.
Nossos números são bons, o movimento econômico subiu muito e a cidade está passando de pequeno para médio porte, chegando a 50 mil habitantes. Além de buscar investimentos, queremos abrir a fronteira com a Argentina para ter um passe livre, atraindo investidores, turistas e mão de obra. Temos muitos imigrantes venezuelanos e haitianos e criamos o programa “Porta Aberta” com a FIESC e a OIM, da ONU, para norteá-los ao mercado de trabalho.
O investimento privado é um pilar: fomos a Brusque convencer o Luciano Hang a instalar uma loja da Havan aqui, mostrando os números da cidade, que é destaque na revista Veja em 10 de 20 pilares, figurando entre as 50 melhores do estado.
Qual foi o ponto crucial de inovação da sua gestão em relação à experiência passada?
Na gestão passada eu era vice, e o prefeito anterior, também do comércio, focou muito em transformação urbana, asfalto e mobilidade. Mas nós precisávamos de mais empresas. Em 2025, elevamos nosso movimento econômico em 39%, saindo de R$ 1,59 bilhão para ultrapassar R$ 2,2 bilhões, atraindo e dando suporte a novos negócios.
Ainda precisamos prospectar redes hoteleiras, restaurantes e postos de combustíveis, pois somos rota para 12 mil veículos por dia vindos do Rio Grande do Sul, do Paraná e de Mato Grosso do Sul. Temos uma cidade segura e bonita. Inclusive, temos um projeto com apenados do presídio: agora são 70 que trabalham na prefeitura cortando grama, pintando meio-fio e cuidando da cidade. Quebramos a barreira do preconceito com o apenado de bom comportamento e agora focamos em atrair negócios e ampliar os existentes.
Como o senhor tem atraído investimentos? Qual é seu principal argumento?
Eu vou pessoalmente até o empreendedor. A Havan, por exemplo, terá loja com quase 30 mil m² e precisará de 200 funcionários; uma rede de supermercado que será instalada ao lado precisará de mais 200. Temos falta de mão de obra constante, com picos de até 1.000 vagas no Sine.
O maior investimento que buscamos foi na Aurora [R$ 600 milhões]. Eles tinham um frigorífico antigo que só abatia suínos. Fui a Chapecó, na matriz, mostrar ao presidente [Neivor Canton] que era importante abater o suíno aqui em São Miguel e transformar ele no presunto, com corte de acordo para a exportação e diminuir a logística. Mostrei os números da cidade e disse que era importante eles estarem aqui. E somos uma cidade acolhedora, com baixa violência, e entre as melhores cidades do estado e do Brasil. E, se precisar incentivo econômico, nós temos.
O empresário quer ser lembrado, ele quer um carinho, ele quer o asfalto na frente da sua empresa ou ele quer um acesso fácil de logística. Eles nem brigam por baixar impostos. E não conseguem, porque o prefeito não consegue. Querem ter um bom acesso, ter mão de obra e, eventualmente, quando precisar do município, o município estar ali dizendo: ‘Irei te ajudar porque você é importante. É importante você estar aqui gerando emprego, renda e movimento econômico’.
Estamos conversando também com a rede de hotéis Ibis. Além disso, revitalizamos a pista do nosso aeroporto com um investimento de R$ 8,3 milhões, o que é crucial para atrair CEOs de grandes empresas, como os da JBS, que precisam de agilidade logística. O prefeito dizer “sim” e mostrar por que é importante empreender aqui faz toda a diferença.
Quais são as principais conquistas de geração de emprego e renda para o município?
Há 30 anos, São Miguel perdeu três distritos que viraram municípios, o que enxugou nosso movimento econômico no agronegócio e nos fez perder a titularidade de maior movimento econômico da região. Agora, focamos em fortalecer a indústria e o comércio, mas o agronegócio é nossa bandeira principal. Nosso movimento no agro é de R$ 260 milhões, o que é pouco comparado a vizinhos que faturam R$ 1 bilhão. Por isso, focamos em novos aviários, pocilgas, produtores de leite, gado, ovelhas e peixes.
Exportamos carne suína para os mercados mais exigentes, como a Ásia. A JBS exporta 32% da produção daqui para o Japão, que paga até R$ 30 o quilo, enquanto no mercado interno é cerca de R$ 15. Hoje abatemos 6.000 suínos por dia e, com os novos investimentos da Aurora e ampliação da JBS, passaremos para 10.000 por dia. Como estou há 30 anos no varejo, conheço as dores do empresário.
Qual foi o impacto na arrecadação e no financiamento das políticas públicas?
Crescemos R$ 623 milhões em movimento econômico no ano de 2025. Saímos de R$ 1,59 bilhão para R$ 2,2 bilhões. Esse aumento de 2025 não entra na receita imediatamente; ele retornará em 2027. Aproximadamente 1,8% disso volta para o município, o que significa cerca de R$ 1 milhão a mais por mês, ou R$ 12 milhões por ano. É por isso que precisamos de cada vez mais empreendedores para garantir receita futura.
De que forma a população é beneficiada diretamente?
O município bem gerido tem pouco poder de investimento próprio, cerca de 3% a 5% da receita, dependendo muito de repasses estaduais e federais. Esse retorno de R$ 1 milhão extra por mês fará toda a diferença para melhorar escolas, agilizar exames e consultas na saúde, e investir em assistência social, esporte e cultura. Já estamos reformando 24 escolas e creches, 12 unidades de saúde e implantando sistemas de segurança com monitoramento em todas as escolas.
Há parcerias público-privadas em São Miguel do Oeste, ou alguma carência que possa demandar por este tipo de investimento?
Temos parcerias fortes com FIESC, SENAI, SESC, SENAC, CDL e Associação Comercial, fundamentais para eventos como a FAISMO, feira de negócios que atrai 100 mil pessoas a cada dois anos. Além disso, temos o Conselho das Entidades, formado por 17 instituições que se reúnem mensalmente para nortear a gestão pública. Eu falo a linguagem empresarial e dou liberdade para que eles tragam demandas e sugestões; o que tem dado muito certo.
O senhor teria sugestões para melhorar as atuais gestões públicas?
Minha formação é em Ciências Contábeis, e o gestor precisa entender de orçamento e se rodear de boas equipes. É preciso escolher secretários competentes e esquecer a política após a eleição, governando para todos. Eu delego muito aos meus secretários e confio neles.
No ano passado, fizemos 32 reuniões nas comunidades através do programa “Fala São Miguel”, onde ouvimos as prioridades de 51 bairros e loteamentos. Encadernamos essas demandas e entregamos aos secretários para que tentem atender tudo até o fim do mandato em 2028. Vamos voltar em cada comunidade para prestar contas do que foi e do que não foi possível fazer.
O senhor é do PL, que governa seu Estado e protagoniza uma polarização política nacional. Qual sua sugestão ou crítica ao governo estadual e ao governo do presidente Lula?
Sou um prefeito de direita e empresário, defendo a produção de riqueza. Mas, na prefeitura não podemos esquecer as políticas públicas e devemos esquecer as bandeiras partidárias. Tenho um alinhamento fantástico com o governador Jorginho Mello, que é municipalista e atende todos os prefeitos. Trabalho pela sua reeleição
Quanto ao governo federal, a queixa, que é de todos os prefeitos do Brasil, refere-se à criação de programas sem a devida receita. Estivemos em Brasília pedindo que parem de aprovar projetos que oneram os municípios sem repasse financeiro. Por exemplo, temos uma UPA que custa R$ 800 mil por mês, mas o governo federal só manda R$ 170 mil, valor que nunca foi reajustado em 20 anos. Os deputados e senadores aprovam programas para agradar, mas quem sofre na ponta é o prefeito. Defendo que o prefeito, embora tenha sua bandeira política, deve pensar em todos de maneira indistinta ao governar.
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